Algaci Túlio tenta buscar
um solução para o impasse.

O Procon espera unir na próxima semana torcida e diretoria do Atlético para que as partes assinem um “termo de ajustamento”. A intenção do presidente do órgão, Algaci Túlio, é encontrar uma solução intermediária na questão da cobrança de R$ 30,00 por ingresso no campeonato brasileiro. A proposta é baixar a entrada ou a criação de um local “popular” na Arena. Caso isso não seja possível, o órgão deverá acionar seu departamento jurídico para defender os direitos dos torcedores rubro-negros.

Ontem pela manhã, o Procon recebeu as visitas do presidente do Furacão, João Augusto Fleury da Rocha, e do advogado do clube, Gil Justen Santana, que foram entregar nas mãos de Algaci as explicações do clube para a política de cobrança de ingresso no nacional. À tarde, foi a vez de segmentos organizados da torcida atleticana levarem suas manifestações. Estiveram na entidade, representantes da confraria Esquadrão da Torcida Atleticana (ETA), torcida organizada Os Fanáticos, E-Atlético.com e do grupo de discussão na internet.

“Após o recebimento das duas manifestações, nós vamos para a análise do jurídico e, em seguida, podemos chamar as duas partes para tentar um termo de ajustamento, onde as duas partes se comprometem a atender o que ficar estabelecido”, explica o presidente do Procon. De acordo com ele, entre o que pode ficar acertado estão a diminuição do preço do ingresso ou um espaço mais popular. “Se assina um documento nesse sentido e a coisa fica resolvida. Se isso não acontecer, evidentemente vamos ter que ir para uma questão jurídica dentro daquilo que a gente possa enquadrar o Atlético”, aponta.

Numa análise superficial, Algaci diz que o clube não pode discriminar os torcedores. “O torcedor, hoje consumidor, tem direito a participar de uma atividade esportiva e, que o ingresso, o valor disso, será condizente. A gente entende que, 100% de aumento neste país é um preço muito alto e o Procon vai trabalhar com base no Estatuto do Torcedor e com base no Código de Defesa do Consumidor”, destaca. Algaci diz que o clube pode ser enquadrado no artigo 39, inciso 5, que trata das práticas abusivas.

O presidente do órgão lamentou a documentação enviada pelo clube e deverá pedir novos dados aos dirigentes do rubro-negro. “Eu espero que o Atlético ainda me mande alguma planilha de quanto custaram as cadeiras, que estão sendo implantadas no estádio, quanto custou a fibra ótica, que está sendo implantada e de todas as melhorias para ver se realmente convence esse aumento de 100%”, finaliza.

Torcida faz novo protesto

Os segmentos organizados da torcida do Atlético, que estão protestando contra o aumento do preço dos ingressos, promovem amanhã um pagode para lançar a campanha de assinaturas para a reclamação coletiva contra a direção do clube. Ironicamente chamado de “Bebo, mas não assalto”, a intenção é mobilizar um grande número de torcedores para tentar convencer os dirigentes a voltarem atrás contra os R$ 30,00. A festa começa às 20 horas, na sede da torcida organizada Os Fanáticos.

“Queremos um preço justo para o ingresso, que todo atleticano possa ir à Baixada e não seja discriminado como eles (a diretoria) estão fazendo, elitizando a Baixada”, aponta Juliano Rodrigues, vice-presidente da Os Fanáticos. Na reunião de ontem no Procon, o advogado Carlos Eduardo Bley aproveitou para fazer alguns questionamentos sobre os dirigentes rubro-negros. “O que estranha a torcida é essa mudança radical de postura. Antes, não se falava que precisavam de dinheiro”, perguntou.

De qualquer forma, os torcedores garantem que vão continuar empurrando o time, mas sem deixar de protestar contra os preços para o Brasileirão. “Em primeiro lugar, a gente vai para incentivar o Atlético. Tentar levar o time à vitória e à classificação. Também, com certeza, a gente vai mostrar a nossa insatisfação contra o preço do ingresso”, antecipa Juliano. Ele diz que a torcida sempre esteve do lado do time e do clube e, agora, não é reconhecida.

Diretoria

O presidente do Atlético, João Augusto Fleury da Rocha, voltou a reiterar que o clube não está infringindo nenhuma lei, tampouco elitizando a Arena. Para tanto, se antecipou aos torcedores e fez uma visita, pela manhã, para expor a política de cobrança de ingressos para o presidente do Procon, Algaci Túlio. “Fomos dar uma resposta à indagação feita pelo Procon”, diz Fleury, através da assessoria de imprensa.

Elenco tem vários lesionados

O departamento médico do Rubro-Negro continua lotado e impedindo o técnico Mário Sérgio de realizar um treinamento coletivo. Ontem, foi a vez de o zagueiro Rogério Correia e do atacante Ilan darem entrada na enfermaria e preocupar para a partida contra o Londrina, às 16 horas de domingo, na Arena. O volante Alan Bahia aproveitou para fazer um reforço muscular enquanto o atacante Dagoberto, o volante Ramalho, o meia Adriano e o goleiro Diego continuaram se recuperando de lesões.

Todos os jogadores preocupam para a partida de domingo, mas os casos mais graves são do zagueiro Rogério Correia e do atacante Ilan. O primeiro sofreu uma fisgada na coxa direita, enquanto o segundo sentiu a virilha. No entanto, como todos eles estão concentrados no CT do Caju e em tratamento intensivo, a expectativa é de que possam atuar contra o Tubarão.

Próxims de ser liberados para o treinamento com bola estão Diego (que se recupera de uma dor no quadril) e Alan Bahia (que fez reforço muscular). Também fizeram tratamento o atacante Dagoberto e o volante Ramalho, ambos se recuperando de lesão no joelho, e o meia Adriano, que ainda sente o dorso do pé direito.