A briga entre Atlético e Santos não está restrita aos gramados e rendeu uma grande saia-justa na última quarta-feira, no julgamento no STJD em que o Peixe perdeu dois mandos de jogo. Na tentativa de inocentar o clube, que estava sendo julgado por incidente ocorrido na partida contra o Vitória, o advogado Mário Mendes fez uma insinuação velada à intenção da denúncia. Durante a defesa, ele deixou transparecer a insatisfação com o fato de a acusação ter sido oferecida pela procuradora Renata Barros, que, segundo ele, é “curitibana”, e conseqüentemente, poderia ser atleticana.

Na verdade, Renata esclareceu que apesar de morar na capital paranaense e já ter feito parte do Tribunal de Justiça Desportiva do Paraná, é paulista. “Foi uma tentativa infeliz de induzir os auditores e ele acabou tendo que se desculpar. Mas esse tipo de tentativa de defesa faz parte do jogo”, diz. Independente dos fatos, Renata faz questão de deixar claro que todos os profissionais do STJD agem com total imparcialidade, como pedem as funções. “A imparcialidade é fundamental para todos nós, procuradores ou auditores. Estamos a favor do cumprimento da justiça desportiva.”

Nomeada em agosto, Renata recebeu a súmula do jogo entre Santos e Vitória de forma aleatória. “A Procuradoria recebe as súmulas, que são distribuídas por sorteio para os procuradores, que decidem se oferecem ou não denúncia. Coincidentemente, fiquei com a desta partida e cumpri o meu papel.”

Na ocasião, o então técnico do time baiano, Hélio dos Anjos, foi atingido por um copo, atirado por um torcedor santista. “Quando recebi as provas, tinha conhecimento da reincidência do Santos, que já havia sido punido contra o São Paulo. Incidentes como esse estão sendo comuns na Vila Belmiro e o alerta tem que ser feito”, diz Renata, lembrando que nova denúncia pode ser oferecida em função das ocorrências durante a partida contra o Corinthians, quando moedas foram atiradas no gramado.