Foto: Valquir Aureliano

Presidente cansou de ?dar murro em ponta de faca?.

Caminho aberto para a composição. Ao que tudo indica, o Paraná Clube pode ter um processo sucessório com menos turbulências do que se imaginava. O presidente José Carlos de Miranda decidiu se afastar das questões eleitorais e uma comissão a ser formada pelos Conselhos Deliberativo e Diretor do clube irá intermediar a formação de uma chapa única para o biênio 2008/09.

A decisão de Miranda foi definida ontem, numa reunião com o presidente do conselho Deliberativo, Luís Carlos de Souza, e seu vice, Luiz Antônio Gusso. ?Tenho que admitir que estou politicamente desgastado?, disse o presidente paranista, que descartou, no entanto, qualquer possibilidade de renúncia nestes últimos meses de mandato. ?Vou cumprir minhas obrigações, mas não tomarei parte na sucessão. Isso fica por conta do conselho. É uma decisão pelo bem do clube?, alegou Miranda.

A postura do presidente é contrária a tudo que vinha apregoando nos últimos meses. Depois que foi derrotado na tentativa de mudança do estatuto – visando à sua reeleição para mais um mandato -, Miranda decidiu fazer valer seu prestígio para eleger o sucessor. Chegou a indicar José Domingos como seu candidato, mas, agora, reconhece que fracassou no seu intuito. ?Não consegui, nos últimos meses, aglutinar forças. Não vou ficar dando murro em ponta de faca?, justificou o presidente paranista.

Com José Carlos de Miranda afastado do processo, o Deliberativo irá atuar diretamente na definição de uma chapa da situação – pois seus integrantes fazem parte da atual diretoria. O certo é que Aurival Correia será o candidato à presidência do Paraná Clube. Resta saber como será negociada a composição das outras duas vice-presidências. Hoje, três nomes estão cotados para os cargos: Márcio Villela, José Domingos Borges Teixeira e Aquilino Romani.

?Acho que esse foi o melhor caminho para o Paraná Clube?, disse o vice do Deliberativo, Luiz Antônio Gusso. ?Assim, poderemos falar menos de política, costurar bem essa chapa única e deixar o foco principal para o futebol?, disse Gusso. ?Hoje, todas as forças têm que estar voltadas para a permanência do Tricolor na primeira divisão e essa união política será importante no processo?, finalizou o conselheiro.

Miranda – além do desgaste político – alegou um desgaste físico. ?Os últimos meses têm sido complicados e venho sofrendo muita pressão da minha família?, justificou. ?O futuro político do clube está em outras mãos. Agora, o que mais me interessa é entregar o cargo com o Tricolor na primeira divisão?.

Afastamento surpreende

Carlos Simon

A decisão repentina e surpreendente de José Carlos de Miranda, que anunciou ontem seu afastamento da sucessão no Paraná Clube, tem relação com a forte pressão de algumas correntes contrárias. Alguns questionamentos sobre a atual gestão foram colocados na mesa do presidente, que viu-se sem saída a não ser desistir de fazer o sucessor.

Durante a tarde de ontem, um burburinho na Vila Capanema dava conta que o presidente teria renunciado. Miranda prontamente negou o boato e garantiu que terminará o mandato, em vigor até o final do ano. Mas não são poucos os que apostam em um pedido de afastamento do presidente por motivo de saúde – de fato, ele sofre de diabete e pressão alta e foi aconselhado por familiares a dedicar-se menos ao clube.

O vice-presidente do Conselho Deliberativo, Luiz Antônio Gusso, nega que a renúncia do presidente tenha sido cogitada na reunião entre eles e o presidente do conselho, Luiz Carlos de Souza, ontem, em Morretes. ?Miranda mostrou disposição em concluir seu mandato e deve fazê-lo. Ele despiu-se de vaidade pelo bem do clube?, disse o conselheiro.

Na segunda-feira, um encontro entre os principais dirigentes tricolores deve definir o futuro de Miranda e a composição da próxima chapa.

Favorito a suceder Miranda, o vice-presidente Aurival Correia disse ontem à noite que não sabia da desistência de Miranda em interferir na eleição. Nem assim quis confirmar sua candidatura, apesar de repetir o descontentamento com a escolha de José Domingos em consulta interna sugerida por Miranda. ?Meu nome foi lançado por amigos. Até fiquei surpreso com a votação que tive naquela consulta, pois todos os votantes foram indicados pela atual diretoria?, falou Aurival, que ganhou adeptos com a rigidez na administração das contas do clube.

Lori quer Paraná jogando como o River Plate

Foto: Valquir Aureliano

Adriano Bahia faz sua estréia com a camisa tricolor amanhã, diante do Fluminense.

O técnico Lori Sandri quer um Paraná Clube ?argentino? no jogo de amanhã. A reação do River Plate diante do Botafogo, pela Copa Sul-Americana, passou a ser fonte de inspiração para o Tricolor em sua luta pela permanência na Série A do Brasileirão. Uma postura que será colocada à prova diante do Fluminense, às 18h10, na Vila Capanema. ?Se sua qualidade é inferior, tem que ser na vontade?, resumiu o treinador.

Lori vai usar o vídeo do jogo do River – que com um jogador a menos marcou três gols em menos de 15 minutos e eliminou o alvinegro carioca – na concentração. ?Eles mostraram uma pegada maravilhosa. É esse espírito que temos que levar para dentro de campo a partir deste jogo?, avisou o treinador. Independente das várias alterações na equipe, Lori Sandri gostou do último treino tático para essa ?final de Copa?.

Uma atividade dividida em duas etapas. Por alguns minutos, Lori apenas posicionou o time, conversando muito com cada um dos titulares. Usou até Luís Henrique, que sequer calçou chuteiras. O zagueiro, com uma tendinite no joelho, é dúvida e, na hora que a bola rolou para o trabalho tático, Toninho entrou no seu lugar. ?Vamos reavaliá-lo neste sábado?, disse o médico Rafael Kleinschmidt. Lori Sandri foi mais enfático e assegurou a presença de Luís Henrique.

O treinador também mostrou convicção ao confirmar as demais alterações, em especial nas alas. ?Para o 3-5-2 funcionar, os alas têm que jogar. Já dei muitas chances e agora é hora de mudar?, comentou Sandri. Assim, Vandinho será improvisando na direita e Adriano Bahia faz sua estréia pelo lado esquerdo. ?Quero o time atacando pelos lados do campo?, disse Lori, que também definiu Batista como o meia-de-ligação e Jefferson como o novo companheiro de Josiel no ataque.