Foi aprovada na terça-feira à noite, pela Câmara dos Deputados, a limitação de mandato dos dirigentes de entidades esportivas, como confederações e federações, que recebem dinheiro público. De acordo com o projeto de lei, os presidentes só podem ser eleitos por quatro anos, com direito a uma reeleição por mais quatro anos.

O texto, que conta com o apoio da Associação Atletas pela Cidadania, e dos ex-atletas e agora deputados Romário e Acelino Popó Freitas, foi aprovado com os votos de 323 deputados, contra 41 e uma abstinência. Antes, no último dia três, a Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado já havia aprovado o projeto de lei, o que levou o texto à Câmara dos Deputados. Nesta proposta, além do limite de reeleição e tempo no cargo, são proibidas eleições de cônjuges ou parentes de até segundo grau.

Agora, o texto segue para o Senado, para que a votação aconteça nos próximos dias. Se aprovado sem nenhuma emenda, o projeto chegará nas mãos da presidente Dilma Rouseff, que poderá sancionar ou rejeitá-lo. No entanto, caso sancionada, a nova lei dificilmente deve afetar o futebol, onde os mandatários passam décadas no poder, uma vez que as entidades não recebem verbas estatais, e sim através de patrocínios de empresas. E exemplos de “poderes eternos” no futebol é o que não faltam.

A começar pela CBF. Atualmente, a confederação é comandada por José Maria Marín desde março de 2012. No entanto, antes dele quem presidiu a entidade foi Ricardo Teixeira, que permaneceu no cargo nada menos do que 23 anos. Neste período, foi acusado de nepotismo e de corrupção.

Nas federações, também não faltam casos assim. Os mais comuns são Eduardo Farah, que presidiu a Federação Paulista de 1988 até 2003; Marco Polo Del Neto, atual mandatário da Federação Paulista, desde 2003, e Eduardo Viana, o Caixa D’água, que comandou a Federação Carioca por 21 anos, deixando o cargo apenas quando faleceu, em 2006.

Por fim, Delfim Pádua Peixto Filho, presidente da Federação Catarinense, é, talvez, o que está há mais tempo no cargo. Desde 1986 no cargo, ele completa em 2013 nada menos do que 26 anos no poder. Aliás, a FCF deve ser uma das poucas atingidas por esta possível nova lei, uma vez que a entidade tem receitas oriundas de títulos de capitalização estaduais. Em 2012, foram mais de R$ 50 mil vindos de loterias locais. Desta forma, a “era Delfim” pode estar com seus dias contados.