A saída de Fábio Luciano e de Liédson pode ser só o começo do desmanche. Nada impede que outros jogadores sejam negociados em pleno campeonato brasileiro. O time do Corinthians é quase todo de aluguel. A ex-parceira Hicks Muse ainda é dona de boa parte dos principais nomes do elenco, como Fábio Luciano. Os outros são Doni, Leandro Rogério e Fabinho (50% pertence ao Cruzeiro, que comprou a parte do São Caetano).

A Hicks Muse ainda detém 50% dos direitos federativos de 32 revelações corintianas – Moreno, Roger, Coelho, Ângelo, entre outros. Fabrício e Renato também foram contratados pelo Corinthians em parceria com Reinaldo Pitta e Alexandre Martins – 50% do clube, 50% dos empresários.

Cocito, cujo contrato vence em 22 de julho, é do Rentista, do Uruguai, clube comandado pelo empresário Juan Figger. Há também alguns jogadores cujo vínculo com o Corinthians vai só até 31 dezembro casos de Liédson, Jorge Wágner e Leandro Amaral. Quando foram contratados, esses atletas assinaram uma cláusula que lhes garante a liberação por parte do clube sem qualquer tipo de multa se surgir uma proposta do exterior. É essa cláusula que deu a Liédson liberdade para negociar a sua saída do Corinthians em meio ao campeonato brasileiro vai para o Dínamo de Kiev, da Ucrânia.

O pior é que o Corinthians não ganha praticamente nada com cada jogador que sai. No caso de Fábio Luciano, como o seu contrato vai só até 31 de dezembro, o zagueiro estaria livre para negociar com qualquer equipe no final do ano. Mas ontem mesmo, respaldado pelo estatuto do jogador da Fifa, ele poderia ter assinado um pré-contrato com qualquer clube do exterior. Nesse caso, nem Corinthians nem a Hicks Muse ganhariam absolutamente nada com a transferência.

Mesmo sabendo disso, Fábio Luciano preferiu comunicar à diretoria do clube que estava de saída. O Corinthians e a Hicks tiveram de aceitar. O negócio foi muito melhor para o jogador, que seguiu ontem para a Turquia para negociar pessoalmente o seu contrato com o Fenerbahce.

Ao Corinthians e à Hicks sobraram apenas US$ 400 mil por Fábio Luciano. A empresa ficará com 76% desse valor e o clube terá os 24% restantes. “Ninguém iria pagar 1 milhão, 2 milhões ou 3 milhões (de dólares) por um jogador que teria passe livre em 31 de dezembro”, explicou Adhemar Magon Júnior, executivo da Hicks Muse. “O que sobrou para o Corinthians e para nós foram US$ 400 mil, que serão divididos na proporção a que cada um tem direito.”

No caso de Liédson, o Corinthians ainda tentará negociar a compra dos direitos federativos do atacante. Mas vai ser muito difícil acertar com o Prudentópolis, que tem 70% do passe, e com o Coritiba, que tem os outros 30%. Além disso, a diretoria vai precisar de um bom dinheiro para competir com a proposta do Dinamo de Kiev: US$ 1 milhão e salário de US$ 70 mil.

Ontem, no Parque São Jorge, Liedson disse que gostaria de permanecer no clube mas exige um contrato de três a cinco anos. “Gostaria de ficar mas tenho de reconhecer que a proposta é irrecusável”, contou o atacante.

Das estrelas do time, apenas Kleber e Gil pertencem só ao Corinthians. Os outros podem sair de uma hora para outra exatamente como aconteceu com Fábio Luciano e Liédson. A Hicks Muse, que diz ter perdido muito dinheiro com a parceria, está disposta a negociar qualquer um de seus jogadores. Basta surgir alguma proposta. De outra parte, o Corinthians ameaça não assinar a liberação de nenhum dos jogadores que pertencem à ex-parceira. A Hicks não aposta nisso. “Temos uma série de documentos que podem render ao clube multas pesadas”, avisou o executivo Adhemar Magon Júnior. “A sorte do clube é que o mercado na Europa também está em crise. Se não, já teríamos vendidos todos os nossos jogadores.”