Ao analisar o elenco do Atlético, o torcedor apostaria facilmente em dois nomes para serem os destaques: o goleiro Weverton e o atacante Walter. Não tinha como fugir muito disso, pois eram os dois principais nomes do elenco e as apostas internas também, afinal um era o capitão e o outro a referência no ataque.

Só que, rodada após rodada, um outro jogador foi ganhando espaço e se tornou tão importante na campanha atleticana quanto os outros. Aos 21 anos, o volante Otávio se firmou entre os titulares e virou o verdadeiro cão de guarda da defesa.

O camisa 5 atleticano esteve em campo em 32 rodadas do Brasileirão e se destacou por ter uma ótica precisão na hora de desmarcar o adversário. Tanto que foi o maior desarmador da competição, com 132 desarmes, bem à frente do segundo colocado, que foi Rodrigo Dourado, do Internacional, com 117. Além disso, chamou a atenção nas jogadas ofensivas. Mesmo sendo um jogador defensivo, Otávio praticou nove dribles no Campeonato Brasileiro, sendo o 65º entre todos os atletas que disputaram o torneio, e mais 41 lançamentos certos, ficando em 72º no geral.

As boas atuações fizeram com que ele fosse convocado para a seleção brasileira sub-23 e já chamaram a atenção do mercado internacional. Recentemente, o Monaco, da França, sondou o atleta, que tem contrato com o Rubro-Negro até maio de 2019, renovado em setembro. Mas, por muito pouco, essa história foi bem diferente.

Grande chance

Após o fiasco do Furacão no Campeonato Paranaense, quando o clube esteve no Torneio da Morte, uma lista de dispensas havia sido elaborada e o nome de Otávio constava nela. Aliás, desde 2009, quando ainda era reserva do sub-15, por muito pouco já não havia sido liberado. Desta vez, o alagoano, natural de Maceió, só não foi embora do CT do Caju graças ao então técnico Milton Mendes, que tinha assumido o comando da equipe poucos dias antes, mas com tempo suficiente para conhecer e acreditar no jogador. A partir daí, a sorte parecia ter virado a favor do volante.

Então titular, Deivid se machucou na segunda rodada do Campeonato Brasileiro. Além disso, Jadson, que veio da Udinese-ITA, havia sido expulso no mesmo jogo (derrota por 2×0 para o Goiás). Foi a chance para que Otávio ganhasse uma oportunidade no time e não saísse mais. Para quem era desconhecido da torcida, afinal só tinha jogado três partidas no Paranaense (ainda atuou em seis jogos na Copa Sul-Americana), só mesmo ganhando tempo no campo para mostrar que tinha qualidade para vestir a camisa rubro-negra. E os números mostram que Milton Mendes estava certo nesta aposta e que o Atlético tem um excelente volante para 2016.