Foto: Orlando Kissner/O Estado
O técnico Luiz Carlos Barbieri
tenta estancar a queda de
produção do time no campeonato.

O desempenho do Paraná Clube nesta reta final tem tirado o sono do técnico Luiz Carlos Barbieri. Marcado por seu estilo ?explosivo? à beira do gramado, ele admite que dificilmente consegue dormir após uma jornada ruim. Nas últimas nove rodadas, o Tricolor teve mais o que lamentar do que comemorar. O rendimento é pífio – com apenas 7 pontos conquistados – e evidenciado pela queda abrupta do time, que segue marcando passo e adiando de forma perigosa a sua classificação à Copa Sul-Americana.

O curioso é que a instabilidade só se instalou quando o clube vislumbrou a possibilidade real de chegar à Libertadores da América. Logo após a goleada sobre o Fluminense (6×1), na 31.ª rodada, Barbieri deixou o campo avisando: ?esse time é muito bom, vamos chegar longe e incomodar muita gente grande?. Só que o tiro saiu pela culatra. Peças importantes caíram de rendimento e com elas o time, de uma forma geral. Após uma seqüência de quatro derrotas, o Tricolor chegou a reagir.

Venceu com estilo o Internacional, em Cascavel, e no embalo do bom resultado passou também pelo frágil Paysandu. Só que o ?sprint? parou aí. O Paraná foi derrotado pelo Botafogo e não conseguiu bater o inerte Santos – desperdiçando inúmeras oportunidades e até uma penalidade máxima. A fase ruim se confirmou no último domingo, quando o Flamengo mandou no jogo. Venceu só por 1×0 porque a ambição do Rubro-Negro carioca na competição não é outra senão se livrar do rebaixamento.

Em pouco mais de quarenta dias, o Paraná viu se esvair completamente as suas possibilidades de chegar à principal competição do continente e agora já tem ameaçada a sua presença na Copa Sul-Americana. O revés frente ao Flamengo custou ao clube não só a sétima colocação do Brasileiro – agora ocupada pelo rival Atlético-PR -, mas também três pontos percentuais nas suas chances de classificação ao torneio da Conmebol. Com 96% de possibilidades, o Tricolor precisa de mais um ponto para garantir a vaga matematicamente.

?Não é fácil encontrar uma razão e não sou de apontar um culpado. O grupo perdeu?, disse Barbieri, deixando transparecer, porém, a preocupação com o fato de alguns jogadores estarem preocupados com eventuais transferências. ?É muita badalação. A cada dia surge uma nova sondagem. E isso, é inegável, mexe com a cabeça do atleta?, explicou Barbieri. O treinador não antecipou se pretende mexer no time para os jogos finais, aproveitando alguns reservas para isolar a apatia que tomou conta do grupo no último fim de semana.

Renovações pra manter a base no ano que vem

Agora é apertar o passo. A diretoria de futebol se reuniu ontem à tarde para traçar planos visando a temporada 2006. Já com um relatório de Luiz Carlos Barbieri sobre o atual elenco, os contatos serão definitivos a partir desta semana. O primeiro passo é tentar a renovação dos contratos pendentes, com prioridade para os titulares Flávio, Marcos, Edinho, Pierre, Mário César e André Dias.

Sabem que o processo não será tranqüilo, diante do orçamento enxuto do clube e da valorização destes jogadores ao longo do Brasileiro. ?Nossa política é a mesma. Pés no chão?, disse o diretor de futebol Durval Lara Ribeiro. Além desses contatos, o clube trabalha em outra frente: a captação de novos valores. Desta vez, a principal fonte será a Série B, que foi acompanhada de perto pelo ?olheiro? do clube, Wil Rodrigues.

?Temos carências, principalmente no setor ofensivo?, destacou o vice de futebol José Domingos. Com a eventual saída de Borges, o Tricolor terá que recompor o ataque, sem deixar de lado o meio-de-campo, pois ao longo do Brasileiro nenhum dos jogadores de criação conseguiu ?brilhar?. Thiago Neves, maior aposta do clube, oscilou demais, e Éder teve um bom rendimento quando chegou, mas também estagnou.

Independente da reformulação, o que a diretoria assegura é a manutenção de um elenco competitivo, capaz de recuperar o título estadual. A última conquista do clube foi o Módulo Amarelo da Copa João Havelange, em 2000. Já o último Paranaense conquistado pelo Tricolor foi em 1997, quando consolidou a sua hegemonia com um inédito pentacampeonato.

Arquibancada da decepção

Não foi só o resultado que frustrou a diretoria paranista. O público de pouco mais de cinco mil pagantes foi uma ducha fria na expectativa do presidente José Carlos de Miranda. ?A decepção não foi só minha, mas dos jogadores também?. O dirigente acreditava que pelo menos dez mil paranistas estariam no Pinheirão, domingo. ?Era o jogo da definição da vaga à Sul-Americana e que nos manteria como a melhor equipe do Estado. Mas a boa campanha do time parece não ser suficiente para tirar a nossa torcida de casa?, desabafou.

O clube tinha proposta financeiramente interessante para levar a partida para Joinville, mas preferiu jogar em casa. ?Nossa expectativa era uma renda líquida de R$ 100 mil, mas saímos sem um tostão. É decepcionante?. A renda foi de apenas R$ 54.011,00 para um público pagante de 5.449 torcedores.

No próximo domingo, o Paraná encara o Cruzeiro, novamente no Pinheirão. É o último jogo do clube em casa nesta temporada. Como a partida faz parte da promoção ?Torcer pelo seu time faz bem?, a tendência é um bom público. O processo é o mesmo: uma lata de Nescau (400g) vale um ingresso e a troca pode ser efetuada nos postos tradicionais.