Valquir Aureliano
André Dias está liberado
e deve voltar ao time domingo.

Na prática, a derrota em Caxias do Sul não trouxe grandes danos ao Paraná Clube. A equipe se manteve na zona de classificação à Copa Sul-Americana e os líderes não abriram uma vantagem tão expressiva (ela é, agora, de cinco pontos). Só que, em contrapartida, Juventude e Fortaleza já encostam e ameaçam, o que era até então, uma posição confortável.

O comportamento do time, porém, deixou comissão técnica e diretoria apreensivas. Os números mostram uma queda acentuada e perigosa, em momento impróprio.

Pela primeira vez neste Brasileirão o Tricolor sofreu duas derrotas em seqüência.

A ausência de gols e, principalmente, de criatividade preocupa. Mesmo tendo sofrido seis gols nas duas últimas rodadas, o Paraná segue tendo a defesa menos vazada da competição (26 gols). Já na questão artilharia… O time paranaense passou em branco nos últimos jogos e já tem um dos piores ataques do Nacional (32 gols), à frente apenas do Flamengo. Pior que isso. Os atacantes do Tricolor não balançam as redes há sete jogos.

?Posso dizer pelo que vi na última jornada. O time pode até jogar mal, mas o Paraná se entregou, não teve atitude?, detonou o técnico Luiz Carlos Barbieri, sem papas na língua. ?Isso foi cobrado do elenco assim que chegamos de viagem. O que me deixa mais tranqüilo é que o grupo reconheceu os erros e aí fica mais fácil trabalhar?, comentou. Para Barbiéri, não é momento para desespero. ?Há tempo para reação. Mas, é preciso aprender com os erros. Só passar uma borracha não adianta.? O treinador disse ainda que o time não produziu no jogo 50% do que fez nos treinos da semana.

?O puxão de orelha tinha que ocorrer, mas fiz elevando o moral do grupo. O jogo em si foi muito ruim tecnicamente e só perdemos no detalhe, em deslizes na nossa marcação?, lembrou Barbiéri. O desafio do treinador será fazer com que a equipe retome o equilíbrio entre defesa e ataque, que norteou a campanha do Paraná ao longo do primeiro turno. Após a 21.ª rodada, o Tricolor tinha o terceiro melhor aproveitamento da competição, com a defesa menos vazada e o melhor saldo de gols (o que mostrava precisão também no ataque).

Após três rodadas do returno, os números são decepcionantes: um ponto conquistado e a antepenúltima colocação. Crescem as apostas contrárias, que rotulam o Tricolor de ?cavalo paraguaio?. Para subverter essa expectativa nacional, a diretoria admite a necessidade de qualificar o grupo e pelo menos dois reforços devem ser apresentados até o início da próxima semana, um meia-de-criação e um atacante. Esse

foi o tema principal de uma reunião ontem, pela manhã, entre dirigentes e integrantes da comissão técnica. ?Só que, precisamos de jogadores capacitados. Que cheguem prontos para vestir a camisa titular. Só encher prateleira não adianta?, ponderou o vice de futebol José Domingos.

André Dias pronto pra ajudar seu companheiro

A volta de André Dias ao ataque pode ser a principal novidade do Tricolor para o jogo de domingo às 16h, no Willie Davids , frente ao Palmeiras. Mesmo ainda com dores na coxa direita, por conta de uma tendinite, o jogador já treinou mais forte ontem pela manhã e hoje deve participar do treino tático programado para as 15h30, na Vila Capanema. ?Mesmo com um leve desconforto, estou pronto. O time está precisando e quero ajudar?, avisou.

É inegável que a melhor dupla de ataque que o Paraná conseguiu escalar neste Brasileiro foi formada por Borges e André Dias. ?É até ruim falar, pois parece que estou me valorizando. Mas, vi os últimos jogos e o Borges ficou só à frente e teve seu trabalho prejudicado?, comentou André Dias. ?Isolado, precisou voltar para buscar o jogo e daí passar por três ou quatro marcadores. Fica difícil.? André Dias defende uma postura mais agressiva do time, tocando a bola no campo de ataque.

?Se a gente fica lá atrás, longe da área adversária, é natural que tenhamos menos oportunidades de gols. Foi o que ocorreu nos últimos jogos?, comentou. Os números corroboram a análise de André Dias. Os atacantes não marcam gols há sete jogos. Os últimos foram na vitória sobre o Botafogo (2×0), em 3 de agosto, quando André Dias e Borges garantiram o resultado. De lá para cá, a dupla só esteve junta em três oportunidades, contra Flamengo, Cruzeiro e Vasco.

Neste período de jejum dos artilheiros, o Paraná fez apenas quatro gols, com Daniel Marques, Mário César, Aderaldo e Neto, sendo dois deles em escanteios e um em cobrança de falta.

?Não podemos ficar só na expectativa de uma bola parada. O time tem que ter mais opções ofensivas?, disse André Dias. Nas duas últimas partidas, nem mesmo faltas próximo da área ocorreram, pois o time se postou a maior parte do tempo da intermediária adversária para trás.

Mais uma chance pra Thiago Neves

O meia Thiago Neves será mantido no time que enfrenta o Palmeiras. Mas, ontem, Barbiéri teve uma longa conversa com o atleta. O rendimento dele foi muito criticado pelo treinador, que apostava suas fichas em Thiago Neves para impulsionar o setor de criação. No primeiro tempo, mais à frente, o jogador exagerou na individualidade e, na fase final, quando foi escalado na sua real posição, pouco produziu.

Indagado sobre o excesso de responsabilidade a ele aferida, Thiago Neves disse ?já ser bem grande para conviver com a cobrança?. O meia não tinha bom relacionamento com o ex-técnico tricolor, Lori Sandri, que foi criticado por relegar a principal revelação do clube à reserva. Se não der a volta por cima nos próximos jogos, Barbiéri pode tomar decisão semelhante. ?Sou um técnico de diálogo e por isso quis conversar com o Thiago. Mesmo sendo jovem na profissão, já recuperei garotos que eram considerados ?problema? e comigo eles jogaram?, comentou o treinador.

Barbiéri preferiu não entrar em detalhes sobre a vida extracampo de Thiago Neves. ?Só exijo profissionalismo. Gosto desse tipo de conversa aberta e quero sinceridade do jogador.? Para Barbiéri, pelo potencial que tem, Thiago Neves esteve abaixo da crítica em Caxias do Sul. O jogador reconhece que talvez o excesso de ansiedade tenha atrapalhado. ?Sei que devo ter mais calma e deixar com que o meu futebol volte ao natural. Mas, ali, dentro de campo, está difícil?, comentou.

?Espero que contra o Palmeiras eu repita o que fiz no primeiro turno. Foi um dos meus melhores jogos pelo Paraná neste Brasileiro?, lembrou o jogador. Thiago fez um dos gols da vitória do Paraná (2×1), no Palestra Itália.

Aderaldo na mira da Turquia

Depois de tirar o técnico Lori Sandri do Paraná, o futebol turco investe, agora, no zagueiro Aderaldo. O jogador prefere não comentar mais a fundo este assédio, dizendo apenas que passou todos os detalhes para a diretoria. Contratado no início do Brasileirão, Aderaldo é dono de seus direitos federativos e o Tricolor teria apenas 20% de qualquer transação efetuada. Só que, Aderaldo tem contrato até abril do ano que vem e os dirigentes não estão dispostos a liberá-lo senão por uma boa compensação financeira.

?Até o momento, não recebi nenhum papel oficial de clube algum. Nestes termos, não dá nem para iniciar uma conversa?, disse José Domingos. Aderaldo explicou que um empresário, cujo nome não revelou, teria feito uma boa oferta para levá-lo para a Turquia. ?Não quero me envolver para não perder o foco. Eles que resolvam. Enquanto nada é acertado, sou jogador do Paraná e no domingo estou à disposição do treinador?, disse o zagueiro, que ao que tudo indica volta ao time após cumprir suspensão.

Barbiéri não poderá contar com Marcos, que recebeu o terceiro cartão amarelo, e pretende efetivar João Paulo na função de líbero, tendo como companheiros de zaga Daniel Marques e Aderaldo. ?Poderia até partir para um 4-4-2. Mas, esse grupo está bem ajustado no sistema com três zagueiros e eu precisaria de tempo para aplicar uma nova dinâmica de jogo?, explicou Luiz Carlos Barbiéri. Em Caxias do Sul, nos minutos finais, ele até partiu para uma nova formatação, mas acha muito arriscado mexer, agora, no plano tático do time.