Mesmo após pedido direto do presidente da entidade que organiza o Campeonato Brasileiro, o Árbitro de Vídeo não terá a sua estreia na rodada deste final de semana. Apesar de ainda não confirmar oficialmente, na CBF já se admite que o recurso não poderá ser utilizado por falta de condições técnicas e de profissionais para operá-lo. Assim, o uso das imagens de TV para corrigir erros de arbitragem terá de ser adiado.

Na última segunda-feira (18), menos de 24 horas após o atacate Jô marcar um gol de mão e dar a vitória ao Corinthians sobre o Vasco, o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, pediu à Comissão Nacional de Arbitragem que o Árbitro de Vídeo passasse a ser utilizado “o quanto antes”. A intenção era de que o sistema fosse utilizado já a partir deste sábado (23).

Desde então, o departamento de arbitragem da entidade tratou de acelerar os trâmites – havia a intenção de testar o sistema apenas nas últimas rodadas do Brasileirão. Havia, porém, uma série de problemas a se resolver: conseguir profissionais habilitados a operar o sistema, combinar com a Globo – detentora dos direitos de transmissão – a recepção das imagens e garantir a implantação em todos os estádios que receberão partidas na próxima rodada. E, em dois dias de reuniões, não se conseguiu resolver nenhum deles.

Além da falta de estrutura na maioria dos estádios e da falta de profissionais, as próprias imagens de vídeo não puderam ser garantidas. Em comunicado, a Globo e a Globosat informaram que “colaboram com o projeto de vídeo arbitragem pois entendemos ser uma evolução natural do esporte”, mas considerou que não há tempo hábil para ajudar na implantação do sistema.

“Devido à complexidade da operação, esse é um projeto que demanda tempo para selecionar, treinar operadores, padronizar estádios com equipamentos necessários, simular testes com os times de operador de replay, técnico e árbitro de vídeo CBF”, disse o texto.

A Globo e a Globosat informaram ainda que estão em conversas com a CBF “desde o início de 2016” e que já usaram o sistema em modo off-line (apenas para testes internos) e na final do Campeonato Pernambucano. Mesmo assim, não é possível fazer o mesmo já para a rodada deste final de semana.

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“Vale lembrar que o sinal dos jogos produzidos tanto pela Globo como pela Globosat tem o objetivo único de gerar a melhor cobertura e experiência para o telespectador. Para o projeto de vídeo arbitragem são necessários ajustes e inclusões de câmeras que não fazem parte do modelo atual de captação de TV”, informou o texto.

A Comissão de Arbitragem da Confederação Brasileira de Futebol reuniu um grupo de 16 supervisores de Árbitros de Vídeo para atualização do protocolo e revisão de instruções antes da preparação intensida. Nos próximos dias, 64 árbitros e assistentes passarão por avaliações, treinamentos teóricos e práticos nos moldes realizados pela Conmebol, onde o instrutor técnico de VAR, Manoel Serapião Filho, esteve presente nas últimas semanas.

Reprovação dos clubes

A mudança de última hora, com a implementação do Árbitro de Vídeo imediatamente, não havia agradado a maioria dos clubes, inclusive Atlético e Coritiba. No total, 12 times não aprovaram a novidade, uma vez que não seria utilizada em todas as partidas e também porque poderia mudar o rumo da competição, uma vez que nas primeiras 24 rodadas não houve esta opção, que poderia mudar os resultados dos confrontos.

“Trata-se de uma imposição, sem nenhuma experiência anterior”, afirmou a diretoria do Furacão, em nota enviada à Folha de São Paulo.

Além dos paranaenses, Atlético-GO, Atlético-MG, Corinthians, Fluminense, Grêmio, Palmeiras, Ponte Preta, Santos, Sport e Vitória foram contra. Chapecoense e Vasco aprovaram a decisão imediata. Já Bahia, Cruzeiro e Flamengo esperam a decisão final da CBF para formar uma opinião, enquanto Botafogo e São Paulo não se manifestaram.