O segundo volante Renato, 23 anos, está a uma partida de conquistar um feito em sua carreira: passar o Brasileiro todo sem levar um cartão amarelo. Mas esta não era sua maior alegria ontem no CT Rei Pelé. Em sua cabeça, ainda estava o gol marcado no fim do jogo de domingo, que abiru a vantagem de seu time para o confronto final contra o Corinthians. “Foi o gol mais importante e vai ficar marcado em minha carreira”, disse ele, lembrando que, até aqui, o gol mais marcante havia sido justamente contra o Corinthians, nos jogos decisivos do Paulista do ano passado.

Sempre calmo e atencioso, Renato revelou que nunca imaginara chegar ao final de um campeonato disputado como o Brasileiro sem levar um cartão amarelo. “Não planejei isso, mas sempre evito cartões para não desfalcar a equipe”. Como também não se machucou durante todo o campeonato, disputou todas as 30 partidas do Santos. Mais importante que isso, porém, é a conquista do titulo. “Não levei cartão, mas se for preciso, não tem problema; o que importa mais é ser campeão”. Renato conta que leva para dentro de campo toda a educação que tem.

Para não ser punido, primeiro procura se antecipar às jogadas para ficar com a bola e não acertar o adversário. Às vezes não dá e acaba cometendo a falta. “Nesse caso, não adianta gesticular, chamando a atenção do árbitro”. Quando tem que conversar com o juiz, toma todo o cuidado: “procuro chegar o mais calmo possível, para não parecer que estou jogando-o contra a torcida”.

Seu comportamento leal não impede que seja respeitado pelos adversários. Quando dá, parte para o drible, “uma liberdade que o professor Leão nos dá”, e raramente sofre falta. “O pessoal caça mais o Diego e o Robinho”, comenta.

O volante chegou à Vila Belmiro há três anos, pelas mãos do então técnico Carlos Alberto Silva. Ele havia feito uma boa campanha no Guarani, o que atraiu a atenção dos santistas. Seu desempenho, porém, foi discreto. Afinal, formou o meio-de-campo com Rincón, Waldo e outras estrelas contratadas pelo Santos e não apareceu para a torcida. “Mas procurei sempre jogar para a equipe e agora, na nova formação do Santos, tenho aparecido mais”.