Assim como a nadadora campeã dos 50m e dos 100m livre dos Jogos Pan-Americanos, Rebeca Gusmão, as discussões sobre seu potencial físico ganharam muita força recentemente, principalmente ao se descobrir que a Federação Internacional de Natação (Fina) analisa em segredo o que motivou um teste positivo em exame antidoping para níveis elevados de testosterona, um hormônio masculino.

A anormalidade de testosterona teria aparecido num exame feito em maio de 2006. O exame da contraprova, feito em Montreal, Canadá, em agosto, teria comprovado a primeira amostra. Mas a defesa da atleta alega que houve contaminações nas amostras.

A Fina ainda não concluiu se o resultado alterado tem relação com uso de substâncias ilegais e vem tratando o caso em sigilo – afirma que quando resolve casos de doping publica o resultado em seu site.

A médica responsável pelo antidoping da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, Renata Castro, está proibida de falar no assunto. O técnico de Rebeca, Hugo Lobo, não foi encontrado. O presidente da CBDA, Coaracy Nunes, afirma que "não existe nada contra a Rebeca que caracterize doping". "Até o presente momento não há nada de anormal na vida da atleta e ela está apta a competir.

Segundo o médico Eduardo De Rose, membro do Conselho da Wada, a agência mundial antidoping, uma mulher pode produzir naturalmente um nível anormal de testosterona, mas os laboratórios têm como detectar a origem. "Há como determinar se a natureza da anomalia é exógena, provocada por fatores externos ou endógena, produzida pelo organismo. Há um equipamento, o IRMS, que permite diferenciar os dois casos.

Um caso de doping por excesso de testosterona que ganhou as manchetes no ano passado foi do ciclista Floyd Landis, pego logo depois de vencer a tradicional Volta da França. Ele alegou uma disfunção hormonal, mas o laboratório que analisou a contraprova comprovou o uso de substância sintetizada, produzida fora do organismo

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.