Historicamente, o Paraná Clube se notabiliza por revelar uma série de bons jogadores para o futebol brasileiro. Em especial meia-armadores, numa lista que inclui Ricardinho, Lúcio Flávio, Thiago Neves e, mais recentemente, Éverton e Giuliano. Porém, nunca, o Tricolor conseguiu fabricar em casa um time competitivo.

“Vivemos um processo de ajustes na equipe. Não dá para queimar etapas e expor garotos à uma pressão desnecessária”, comenta Zetti, sobre o fato de hoje o tricolor dispor de poucos atletas “fabricados em casa” no seu elenco principal.

Na prática, o atual elenco conta com 30 jogadores – sem contar aqueles colocados em disponibilidade no início do Brasileiro -sendo que apenas cinco vieram das categorias de base (nessa conta, não estão considerados os alas Alex e Fabinho, “crias” do Paraná, mas já com uma maior bagagem).

Entre esses cinco, há os casos dos atacantes Marquinhos e Igor. “Promovidos” da base no início da semana, eles ainda dependem de uma avaliação da comissão técnica para serem efetivados no grupo.

Assim, restam Rodolfo, Elvis e Bruninho. Cada um já viveu períodos como titulares do Paraná, no primeiro quadrimestre deste ano. Há quem conteste a não utilização desses jogadores, mas Zetti, com a experiência de 27 anos “na bola”, não se impressiona com essas reações.

“No momento, minha cabeça está voltada para a montagem de um time forte. Nesse processo, não olho para origens ou idade. Quero o melhor para o Paraná”, resumiu o treinador, que sente, por exemplo, Davi e Dinelson – em relação aos meias – alguns degraus acima dos pratas da casa.

O passado recente mostra que o Paraná tenta retomar o perfil aplicado com sucesso nos campeonatos brasileiros de 2003, 2005 e 2006. Nesses anos, “pinçando” jogadores de qualidade no mercado paulista, o tricolor surpreendeu a muitos, conseguindo vaga na Sul-Americana (por duas vezes) e uma inédita Libertadores.

Uma fórmula que não fechou as portas para os “meninos da Vila”. Foi nesse período que o tricolor revelou os alas Fabinho e Eltinho e o meia Thiago Neves, por exemplo. Garotos que souberam aproveitar o momento e conquistar espaço em equipes competitivas.

Recentemente, o Paraná até ampliou o número de revelações, muito mais premido pelo “desespero” do que pelo planejamento. Foi assim que Éverton, Giuliano e Rodrigo Pimpão acabaram sendo lançados.

Mostraram qualidade e foram negociados, mas salvo Pimpão, titular no Vasco (da Série B), os outros dois ainda estão ralando por um lugar ao sol no Flamengo e no Internacional.

Talvez, a velha receita – onde o bom senso supera a pressa – seja o melhor caminho a seguir. Até porque, voltar à primeira divisão deve ser o único foco do tricolor, nesse momento.