Rivaldo deveria curtir a terça-feira de folga como um dos heróis da vitória do Brasil na estréia da Copa. O meia fez o passe para o gol de Ronaldo e converteu o pênalti que consolidou a reação por 2 a 1. Mas o destaque do time de Felipão, na apresentação da noite anterior, optou pelo silêncio.

Por temperamento, e sobretudo por precaução, o astro do Barcelona preferiu entrar mudo e sair calado em suas aparições públicas. O silêncio seria estratégia para evitar confusão. O observador da Fifa, na partida no Estádio Munsu, não gostou da encenação do brasileiro, que simulou ter sido atingido no rosto, quando o turco Unsal lhe atirou a bola contra as coxas, quase no fim da partida.

O árbitro Joo Kim expulsou o agressor, por considerar que o gesto foi antidesportivo, mas a Comissão de Disciplina da Copa decidiu estudar também a atitude do brasileiro. Não está afastada a hipótese de vir a ser punido – ou pelo menos receber advertência. ?Rivaldo é um jogador inteligente e sabia da importância daquele momento?, explicou Roberto Carlos, um dos que saíram em defesa do companheiro. ?Faltavam segundos para o encerramento e não poderíamos correr o risco de levar o empate? lembrou o lateral do Real Madrid. ?Se fosse eu, naquele momento, teria feito o mesmo?, garantiu, em solidariedade.

Linha de raciocínio idêntica foi utilizada por Roque Júnior. O zagueiro do Milan aliviou o incidente com o argumento de que a iniciativa do adversário é que foi desleal. ?A bolada, em minha opinião, foi um ato de agressão?, explicou. ?Foi aquela atitude que mereceu o cartão vermelho, e me pareceu justo.? A queda de Rivaldo teria sido um detalhe.

Felipão foi mais original na justificativa. Com a maior candura, o treinador disse que seu jogador teve gesto instintivo de proteção do rosto, ao sentir que iria levar a bolada. ?A bola bateu no joelho e ele quis proteger a cara?, enfatizou, ao mesmo tempo em que desdenhou da possibilidade de ocorrer alguma punição. ?A Fifa não disse nada?, alertava, durante a manhã.