Roberto Brum chorou na conversa com a imprensa.

O “mandato” pode estar acabando. Depois de uma estranha série de acontecimentos, o volante Roberto Brum foi afastado do elenco do Coritiba, tendo a autorização apenas para realizar treinamentos físicos.

Excluído do trabalho de terça, o “Senador” teve uma ríspida conversa com o técnico Antônio Lopes na tarde de ontem, quando soube da posição do treinador. Ele não descarta a possibilidade de deixar o Alto da Glória.

A história começou na terça, quando Roberto Brum fez duas faltas duras sobre Adriano e Jucemar. “Se ele faz algo parecido em um jogo, é expulso na hora”, disse Lopes. “Não aconteceu nada, os dois estão aí, inteiros. Não machuquei ninguém”, rebateu Brum. “O Jucemar pode até ficar de fora do jogo, teve que sair do treino”, relatou Lopes – o lateral está com dores na panturrilha, e será avaliado esta manhã.

O “Senador” saiu sem conversar com a imprensa. Quando perguntado sobre o assunto, na terça, o treinador coxa preferiu dissimular. “O Brum é cabeça boa, precisa só dar uma esfriada. Está tudo bem, ele vai treinar amanhã (ontem)”, afirmou. Ontem, no entanto, a história mudou. “Tivemos uma conversa de homem para homem e ele disse que eu não ia mais treinar. Ele disse que eu não posso mais jogar dessa forma, que é a mesma desde que tenho 12 anos”, contou o volante.

Para Brum, foi a gota d?água de uma perseguição. “Isso começou no primeiro dia em que ele chegou ao Coritiba. No primeiro treino, ele já me tirou do time titular. E agora ele não quer que eu jogue do meu jeito”, atirou. Segundo o volante, tudo foi tentado para manter um relacionamento tranqüilo. “Eu mudei meu jeito, tomei outras atitudes, até cortei o cabelo. Mas ele está tirando a única coisa que eu tenho, que é jogar futebol”, afirmou, com lágrimas nos olhos.

Antônio Lopes demonstrou irritação ao falar, e reconheceu que omitiu a informação na terça. “Eu não podia contar para vocês as coisas antes de conversar com o presidente. Informei a diretoria e agora falo para vocês. Ele está muito destemperado desde que perdeu a posição, mas não pode machucar os jogadores. Não aceito ninguém que tenha uma posição individual no elenco”, disse o treinador coxa.

Brum não quer pensar no futuro antes de falar com o presidente Giovani Gionédis, que voltou ontem de Londrina, onde resolvia problemas particulares. “Eu devo respeito a ele, e sem conversarmos não vou decidir nada. Por enquanto, eu vou cumprir o que foi pedido”, afirmou o volante, que no entanto já teria três propostas, de Grêmio, Corinthians e Goiás. Diálogo? Por enquanto, é difícil. “No momento não tem conversa”, disse o “Senador”. “Ele só volta se perceber que aqui se trabalha em grupo, e não sozinho”, finalizou Antônio Lopes.

Brum diz que evitou “complô”

Quando Roberto Brum falava sobre a ‘perseguição’ que sofreu de Antônio Lopes, revelou que foi procurado por dirigentes da torcida organizada Império Alviverde para ajudar em uma manifestação contra o treinador coxa. O fato aconteceu logo depois da derrota para o Sporting Cristal, pela Libertadores, e foi confirmado pelo presidente da facção Luís Fernando Correa.

Segundo o “Senador”, os torcedores queriam fazer uma manifestação contra Lopes. “Eles queriam colocar umas faixas, fazer um protesto. Aí falaram comigo e eu disse que eles não podiam partir para esse tipo de coisa, que era melhor apoiar”, contou, sem esconder a mágoa. “Depois de tudo isso, ele vem e me tira do elenco. É complicado”, reclamou.

Luís Fernando disse que a iniciativa realmente partiu dos dirigentes da torcida. “Os resultados não estavam vindo, e a gente perguntou o que estava havendo, se teria algum problema de relacionamento entre o técnico e os jogadores”, afirmou. “É uma prática nossa, até pelo nosso bom relacionamento com todos no clube”, esclarece o presidente da Império Alviverde.

O dirigente da torcida não quis se envolver no problema entre Lopes e Roberto Brum. “A gente fica chateado, porque o Brum é um jogador querido para os torcedores. Mas o time está em uma boa fase, e é a hora de apoiar”, afirmou Luís Fernando Correa. A posição é semelhante à da diretoria coxa, que não se pronunciou oficialmente sobre o caso.

Couto recebe cadeiras em toda reta da Mauá

Quem for ao Couto Pereira vai ver a primeira parte visível da grande obra de revitalização do estádio. A reta da Rua Mauá, em seu segundo anel, está sendo ‘encadeirada’, e o plano é aprontar o local para a final do campeonato paranaense – caso o Coritiba passe pelo Cianorte. As obras terminam apenas em outubro, com a reconstrução do setor de camarotes, das novas cadeiras inferiores, do novo museu, de mais uma praça de alimentação e do restaurante.

Por enquanto, o pensamento é manter o estádio adequado ao Estatuto do Torcedor. As cadeiras instaladas são verdes – não pela razão óbvia, mas pela setorização do campo, que foi feita através de cores. “Cada setor do estádio terá as cadeiras com as cores correspondentes”, explica o vice-presidente Domingos Moro. A princípio, serão ‘encadeiradas’ todas as áreas das arquibancadas, menos as reservadas para a torcida organizada.

Para a partida de amanhã, ainda não estarão instaladas todas as cadeiras, mas não haverá distinção de preços nem locais interditados. No futuro, o setor terá preços iguais aos das cadeiras inferiores e da RIua Mauá (que custam hoje 30 reais). “Não sei quanto vai custar, mas será o mesmo valor para todos os espaços”, diz o vice-presidente coxa.

Nos fundos dos camarotes está a obra mais arrojada. Amanhã, o espaço volta a ser aberto, mas sem ainda as instalações. “Precisamos ainda fazer algumas adaptações, mas o que já foi feito é impressionante”, comenta Moro. De aprontado, apenas o novo vestiário da arbitragem, que passou a contar com um túnel de acesso exclusivo, sem cruzar com dirigentes ou jornalistas.

Sem pacote

A posição ainda não foi oficializada, mas é quase certo que os dirigentes do Coritiba preferirão não lançar pacotes de ingressos para o campeonato brasileiro. Nem mesmo

o valor unitário foi divulgado, o que deve acontecer apenas após o final da participação coxa no paranaense.