Roberto Carlos diz que esta
marca é uma motivação a mais.

Teresópolis –

Iniciar a disputa de uma eliminatória de Copa do Mundo já é o suficiente para motivar qualquer jogador da seleção, mas para o lateral-esquerdo Roberto Carlos, a partida de amanhã contra os colombianos terá um “sabor especial”. O jogador do Real Madrid completará 100 jogos com a camisa do Brasil, em 11 anos defendendo a equipe.

Roberto Carlos não esconde a felicidade com a marca, principalmente porque conseguiu construir uma trajetória vitoriosa dentro da seleção.

Afinal, já acumulou 114 convocações, atuou por 8.495 minutos e marcou seis gols. Desde a primeira vez em que foi relacionado, em dois de fevereiro de 1992, então promissor jogador do União São João, mantém a humildade e a eficiência que sempre o caracterizaram.

“Com a notícia de que tinha 99 jogos pela seleção tive a certeza de que tudo o que acontece na minha vida tem um propósito. Principalmente, porque poderia ter atingido a marca de 100 jogos em um amistoso”, disse Roberto Carlos, que estreou em um amistoso contra os Estados Unidos em Fortaleza. O Brasil venceu a partida por 3 a 0. “Acontecer em uma estréia de eliminatória é um sinal de que esta competição vai ser maravilhosa.” Aos 30 anos, campeão mundial e interclubes, titular absoluto e ídolo da torcida do Real Madrid, clube que defende há sete anos, Roberto Carlos não fez questão de esconder a receita de seu sucesso: “se divertir jogando”. E esse é o sentimento que o lateral deseja ver em seus companheiros durante as Eliminatórias da Copa do Mundo de 2006. As brincadeiras com os companheiros de seleção também são uma constante na vida de Roberto Carlos. Durante esta semana em que a seleção se preparou para o confronto de amanhã contra os colombianos, na Granja Comary, em Teresópolis, os meias Kaká e Diego foram os principais alvos do lateral. “Eu sou o bonitão da seleção. Coloco vocês e o Beckham (David, meia do Real Madrid) no chinelo”, desdenhou.

Apesar das brincadeiras, Roberto Carlos sempre conquistou o respeito dos companheiros por causa de seu espírito agregador e atencioso, principalmente, com os atletas menos experientes. Uma característica que o jogador mantém até na hora de falar sobre o adversário de amanhã.

“Nós não podemos ter medo de jogar. Vamos entrar nessa competição como os melhores do mundo e não tem o porquê de ficarmos nos envolvendo em polêmicas”, disse Roberto Carlos. “Devemos respeitar os colombianos, mas demonstrar dentro do campo o que significa esse escudo com cinco estrelas no peito.”

A opinião de quem entende do riscado

Gisele Krodel Rech

Quando o assunto é seleção, até mesmo os treinadores de ofício costumam ter uma opinião formada – mesmo que prefiram não contestar as decisões de Parreira por questões éticas. “Não posso questionar a escalação por ética profissional, mas emitir opinião é diferente”, diz Paulo Bonamigo, técnico do Coritiba. Para ele, a aposta em jogadores com experiência em copa foi acertada, pela importância da competição. “É como se a Copa do Mundo começasse agora. As experiências foram feitas até a Copa das Confederações. Agora é pegar o melhor que se tem e ir à luta”. Bonamigo ressaltou também a importância de montar uma equipe consistente para a estréia fora de casa. “É um 4-4-2 reforçado, com poder de marcação. Não se pode facilitar jogando contra a perigosa Colômbia nos domínios dela.” Como a seleção conta com alguns talentos individuais, o treinador Coxa aposta que o Brasil leve vantagem na disputa. “O Brasil desequilibra individualmente, com Ronaldo, Rivaldo, Alex e até mesmo com Ronaldinho Gaúcho, uma boa opção para o decorrer do jogo.”

Canchados

O técnico atleticano Mário Sérgio, que vestiu a camisa da seleção em 81, 82 e 85, acredita que a grande dificuldade do técnico Parreira será manter a motivação em uma competição tão longa como as eliminatórias, envolvendo atletas que jogam no exterior. “Não é fácil trabalhar com essa falta de convívio do grupo. Os jogadores só se reencontram pouco antes das partidas e acaba refletindo numa falta de conjunto”, diz. O treinador lembra que na época em que ele jogava, motivar um grupo era mais fácil. “O objetivo do jogador era chegar à seleção. Era a maior honra que alguém poderia alcançar. Hoje os objetivos são outros.”

Outro problema que a seleção terá de contornar será sair do clima do penta. “Depois de uma grande conquista, há um relaxamento natural. A seleção terá que lutar contra isso para ser vitoriosa.”

O treinador atleticano prevê uma partida complicada na Colômbia, mas acredita no potencial do grupo. “O Parreira manteve a base campeã e convocou os destaques do Brasileirão. É um time forte e não importa quem vai entrar em campo. O que importa é a intenção da equipe”, filosofa.

Para o técnico paranista Edu Marangon, que vestiu a camisa da seleção em 87 e 91, não há nenhuma seleção no mundo que se equipare à do Brasil. “São tantos talentos, tantas opções, que chega a gerar polêmica. Nunca haverá unanimidade.”

Entretanto, o treinador concorda com a utilização de jogadores mais experientes, pelo menos nesse momento, quando a competição se inicia. “A renovação vai acontecer gradativamente, ao longos dos três anos da disputa das eliminatórias. Mas pelo status da seleção, não há como cogitar a utilização de um time B na competição, independente do adversário ou local do jogo”, conclui.