Se a vida é feita de apostas, Roberto Cavalo acertou. No momento em que muitos treinadores não fugiriam do feijão-com-arroz, ele arriscou: chamou dois garotos da base e os colocou à prova.

A primeira impressão não poderia ser melhor. O ala Henrique deu nova personalidade à lateral-esquerda e o atacante Kelvin mostrou, em poucos minutos, a vocação para marcar gols. “Vamos com calma com os meninos. Eles não podem ser vistos como solução. Mas, se tem potencial, a idade não importa”, analisa o treinador.

Sobre o resultado de terça-feira – vitória por 2 x 0 em cima do Guaratinguetá -, Cavalo salientou que os três pontos deram fôlego à equipe. “Foi iimportante. Até porque, se tivéssesmos perdido, ficaríamos numa posição delicada diante dos resultados da rodada”, ponderou, evitando a empolgação pelo bom resultado.

“Somamos três pontos, mas seguimos em 14.º lugar.” Na prática, o resultado valeu mesmo para aumentar a margem de segurança da ZR, que agora é de 7 pontos.

O treinador quer fazer do resultado contra o Guaratinguetá um trampolim para uma nova vitória, sábado, diante do Brasiliense. “Vamos sentir o reflexo do resultado se derrotarmos o Brasiliense. Aí, com seis pontos seguidos, vamos poder respirar melhor”, avalia o treinador, que “bateu cabeça” no Mixto e no Vila Nova, e agora mostra uma afinidade no mínimo interessante com o Paraná Clube.

Considerando o que fez na reta final da Segundona do ano passado, e nesta nova fase, o técnico chegou à marca de doze partidas de invencibilidade. Segundo Roberto Cavalo, ele não é responsável sozinho pela ascensão do time.

“O mais importante é que a equipe reagiu ao que se fez no dia a dia. A presença do Paulão (Paulo César Silva, assessor do futebol) e o nosso trabalho refletiram numa nova mobilização. Em Guaratinguetá, o time foi venceu na raça e isso é fundamental na Série B”, disse o treinador, esperando a mesma vibração no jogo do próximo sábado, às 16h10, na Vila Capanema.

Na avaliação de Cavalo, foi esse espírito coletivo que contribuiu para as estreias positivas de Henrique e Kelvin. Peças que o treinador pretende lapidar para a temporada 2011.

Afinal, o ala tem apenas 18 anos. O atacante é ainda mais novo: 17. “O grupo acolheu bem os meninos. Isso permitiu que eles entrassem em campo com personalidade e fizessem o que sabem: jogar futebol”, arrematou.