Santos – Robinho teve um contato com os jornalistas ontem, o primeiro desde o seqüestro de sua mãe, Marina Silva de Souza, ocorrido no sábado à noite. Ele marcou entrevista na sala de imprensa da Vila Belmiro para as 11 horas e chegou meia hora atrasado. Vestindo bermuda cinza e camiseta vermelha, com tênis calçado como se fosse um chinelo, o jogador estava longe daquele garoto brincalhão e despreocupado que treina todo dia no CT Rei Pelé.

Robinho não deu entrevista e, em um minuto e meio de pronunciamento, pediu para os jornalistas deixarem sua família tranqüila para que possa conduzir sozinha o drama que começou sábado à noite em Praia Grande, quando dois homens pularam o muro de uma casa alugada para a realização de festas, surpreenderam as três pessoas que preparavam um churrasco e seqüestraram a mãe do atleta.

“Agradeço as flores, as cartas, as mensagens carinhosas e positivas, de solidariedade”, disse Robinho, acrescentando que sua família precisa de tranqüilidade e o cerco que os jornalistas fazem em sua casa está atrapalhando. “Estou passando por uma situação delicada e vocês estão toda hora em frente da minha casa, me filmando, e isso aí não é legal.”

Robinho manifestou esperança de que o caso termine bem, “com minha mãe de volta e eu voltando a jogar futebol”. E voltou a pedir aos jornalistas: “Tenham tranqüilidade e, assim que tiver notícia, vou comunicar a vocês”.

O atacante do Santos também rebateu comentários feitos em programas da televisão de que foi vítima de extorsão ou que o caso se tratava de vingança. “Estão saindo coisas na televisão que não são verdadeiras”, garantiu. E pediu, novamente: “Espero que possam parar com isso para que minha família possa estar bem para conduzir essa situação da melhor forma possível”.

Robinho, que só deixa o apartamento de seus pais para ir aos treinos, está sendo acompanhado por seguranças contratados pelo clube.

Sem interferências

O presidente do Santos, Marcelo Teixeira, deu entrevista logo depois que Robinho deixou a sala de imprensa da Vila Belmiro. Ele informou que a família estava conduzindo o caso, sem a interferência do clube e da polícia. “Houve um pedido da família para que ela mesma conduzisse o processo, sem a interferência do Santos, da polícia e da imprensa”, explicou o dirigente.

Ressaltando não querer cercear o direito da imprensa, Marcelo Teixeira disse que ela “está sendo prejudicial ao andamento do processo, nesse momento em que o desejo de todos é que a vida de dona Marina seja preservada, que ela tenha seu retorno garantido ao lar”.

Teixeira garante craque até julho de 2005

Santos –

O presidente do Santos, Marcelo Teixeira, não acredita que o drama vivido pela família de Robinho, com o seqüestro de sua mãe Marina Silva de Souza, vá apressar sua saída do clube. “Posso assegurar que o Robinho não sairá do Santos antes de julho de 2005, assim como posso assegurar que não há qualquer pré-contrato assinado com o PSV, com o Benfica, com o Real Madrid ou com qualquer outro clube interessado na aquisição do atleta.”

Teixeira foi além. Confirmou ter recebido um telefonema “muito amável” do presidente do Real Madri, mas disse que “em todos os contatos recebidos, dissemos que não temos interesse nessa negociação neste momento, não pelas circunstâncias do drama familiar, mas porque o Santos não tem interesse em negociá-lo neste momento por quaisquer valores apresentados”.

Segundo o presidente santista, “o projeto do clube envolve o atual elenco profissional e que conseguimos a prorrogação do contrato.”

Marcelo Teixeira foi enfático ao negar que Robinho já esteja vendido.

“Não temos negociação concluída, não vamos concluir qualquer negócio, respeitando todos os clubes, com nenhuma dessas agremiações antes de julho de 2005.”

Sobre a viagem no final de semana à Espanha de Wagner Ribeiro, empresário do atleta, o presidente santista considera o direito dele viajar “um direito próprio” e garantiu: “não há autorização para ele falar em nome do Santos e todas as informações que tenho – e confio no Wagner Ribeiro – é de que não houve qualquer negociação. Ele está ouvindo propostas referentes ao atleta, mas deu sua palavra de que não houve qualquer início de negociação”.

Misto reforçado encara a LDU

São Paulo –

Hoje, às 21h50, na Vila Belmiro, o Santos recebe a LDU em partida válida pelas quartas-de-final da Copa Sul-Americana. No primeiro jogo, a equipe equatoriana derrotou o Peixe por 3 x 2, em casa. Para chegar às semifinais da competição, o Peixe precisa vencer por dois gols de diferença. Se vencer por apenas um, a decisão vai para os pênaltis. Um empate dá a vaga ao adversário.

Para a partida, o técnico Vanderlei Luxemburgo terá dois reforços: o meia Ricardinho e o volante Preto Casagrande. Ambos estão suspensos no Campeonato Brasileiro, pelo terceiro amarelo e por expulsão, respectivamente e vão reforçar o mistão. Em compensação, Zé Elias, expulso em Quito, desfalca a equipe.

No setor defensivo, o treinador deve repetir a fórmula da partida de ida, quando escalou três zagueiros. E o trio deve ser composto por Domingos, Ávalos e Leonardo. Nas laterais jogam Flávio e Márcio, enquanto que Preto Casagrande, Ricardinho e Marcinho formam o meio-campo. No ataque, Basílio e William.

Já na equipe equatoriana, que chegou ao Brasil ontem pela manhã e vem de uma derrota por 4 x 2 para o Olmedo no campeonato local, os jogadores querem esquecer esse resultado negativo. “Isso já é passado, agora estamos concentrados na partida contra o Santos. Vai ser um jogo muito difícil”, disse o treinador da equipe, o peruano Juan Oblitas.

Ficha técnica:
Santos: Mauro, Domingos, Ávalos e Leonardo; Flávio, Preto Casagrande, Ricardinho, Marcinho e Márcio, Basílio e William. Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

LDU: Jacinto Espinoza, Luis Gómez, Carlos Espínola e Giovanny Espinoza; Paul Ambrossi, Alfonso Obregón, Patricio Urrutia, Néicer Reasco e Alex Aguinaga; Elkin Murillo e Franklin Salas. Técnico: Juan Carlos Oblitas.
Árbitro: Carlos Torres (PAR).
Local: Vila Belmiro.