A escolha do estádio para o jogo entre Atlético e Santos, pelas oitavas de final da Copa Libertadores, fez a parceria entre as diretorias da dupla Atletiba terminar. Toda a novela durante as últimas duas semanas deixou a relação – que vinha trazendo benefícios – abalada e sem volta, aparentemente.

O imbróglio é conhecido. Atlético e Coritiba firmaram um acordo em 2015 para a cessão de seus respectivos estádios caso algum tivesse a necessidade de usar. Com o aluguel da Arena da Baixada para a Liga Mundial de Vôlei, a direção do Furacão fez contato com o Coxa para fazer valer o contrato.

A ideia era divulgar o Couto Pereira somente no dia limite estabelecido pela Conmebol, evitando a pressão da torcida. O valor, que era de R$ 70 mil contratualmente, sofreu um acréscimo e foi fechado em R$ 250 mil por conta de uma ligação do dirigente Ernesto Pedroso a Mario Celso Petraglia, presidente do Conselho Deliberativo do Rubro-Negro, dizendo que os conselheiros já estavam pressionando para a recusa, que chegou a ser confirmada em uma ata da reunião entre os coxas para amenizar o ambiente.

Tudo ocorria bem até a notícia vazar no último dia. A revolta da torcida do Verdão foi grande, o Conselhão alviverde pressionou e o presidente coxa-branca, Rogério Portugal Bacellar, cedeu aos manifestos. Uma funcionária, mais especificamente a secretária do clube, avisou a diretoria atleticana que não tinha mais negócio e, desde lá, não existe mais contato entre os clubes. Única alternativa na capital, a Vila Capanema acabou escolhida por R$ 200 mil, mais o empréstimo do meia João Pedro ao Paraná. Revoltado, o Atlético se posicionou no último domingo através de uma nota oficial e não poupou críticas ao Coritiba.

“Lamentamos ter acreditado na palavra, na seriedade e no compromisso de pessoas que ocupam cargos de relevo e que, de forma impensada e, de certo modo, até amadora, tomam infaustas decisões que somente prejudicam o fortalecimento do futebol paranaense. Infelizmente, ainda persiste a paixão negativa que toma conta de pessoas que habitam o futebol e diminuem a beleza do esporte, ignorando que a essência da competitividade deve ser resguardada tão somente dentro das quatro linhas”, afirma o texto. Na sequência, o Furacão ainda diz que “com a postura de rompimento, tornou extremamente difícil qualquer relacionamento Institucional entre as Agremiações”.

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O fim da lua de mel entre os maiores clubes do Estado, por outro lado, não é uma surpresa e até demorou a acontecer. A relação foi se desgastando com o tempo. O Verdão, por exemplo, também cita alguns episódios em que a reciprocidade não vinha do lado rubro-negro: a não cessão da Arena na partida contra a Chapecoense no ano passado (como o Furacão cobra agora pelo contrato de dois anos atrás), o veto ao recebimento de taça em seu estádio no título do Campeonato Paranaense deste ano, o oferecimento de carga menor que a prevista em lei para área de torcida visitante na Arena da Baixada e a majoração abusiva em preço de ingresso para inviabilizar a presença da torcida alviverde – fatos que, inclusive, geraram ações na justiça desportiva e no Procon.

Parceiros em diversas ações – como a busca por patrocínios em conjunto, a criação e a saída da Primeira Liga juntos, a negociação com o Esporte Interativo para 2019-2024, o não fechamento dos direitos de transmissão do Campeonato Paranaense com a Rede Globo, a iniciativa de transmitir os clássicos via YouTube e Facebook e a união contra o veto da grama sintética – Coritiba e Atlético caminham para o distanciamento novamente. Não há, no momento, clima para que as diretorias se resolvam, até pelo desgaste e com a rivalidade se estendendo de novo para as torcidas, que cobram o fim do diálogo amigável. Uma perda não somente aos clubes, como também para o futebol paranaense que, novamente desunido, perde ainda mais referência no cenário nacional.

A reportagem tentou contato com as direções dos dois clubes para saber o desdobramento futuro da relação Atletiba, mas não foi atendida.