Tudo indicava que Ronaldinho Gaúcho seria o destaque do Brasil no jogo com a Turquia. O ótimo rendimento do craque do PSG, nos treinos da seleção poderia supor um ataque infernal da equipe, com o trio de “erres” em ação. Mas Ronaldinho Gaúcho não atuou bem, destoando de seus companheiros mais próximos em campo, Rivaldo e Ronaldo. Errou passes e dribles e ainda perdeu um gol incrível, diante do goleiro.

Ele reconheceu que não esteve bem. “Sei que posso melhorar, mas estou feliz com a vitória da seleção.” Para Ronaldinho, o principal mérito da equipe foi o poder de reação. Ele disse ainda que a Turquia exerceu forte marcação defensiva, o que acabou dificultando o trabalho do ataque brasileiro. Sobre os gols perdidos, declarou que devem “servir de lição”. “Na estréia, podemos errar tanto nas finalizações. Mas não podemos repetir isso.”

Juninho

Juninho Paulista, estreante em Copas, foi aprovado pelo próprio atleta, numa autocrítica feita no hotel da seleção. “Procurei ajudar na marcação e consegui, também tentei empurrar o time à frente e fui feliz.” O meia fez, porém, uma ressalva sobre a atuação da seleção. Disse que a equipe não pode desperdiçar tantas chances de gol, sob o risco de uma eliminação precoce no Mundial. Para Juninho, o Brasil tem até condições de virar o placar mais uma vez na competição. Mas não acredita que isso possa acontecer três vezes. “Por isso, a necessidade de marcar os gols.”

Cafu

O veterano lateral da seleção disse que se sentiu à vontade como capitão, posto que já ocupou dezenas de vezes na seleção. E fez uma comparação sobre o seu estilo e o de Emerson. “Ele é mais falante, eu sou mais sossegado.”

Gilberto Silva não quer mudar

Discreto, porém eficiente. É com a receita “feijão com arroz” que o volante Gilberto Silva pretende continuar como titular do Brasil que, no sábado, enfrenta a China pela segunda rodada da fase de classificação da Copa do Mundo da Coréia do Sul e do Japão.

Depois de entrar na equipe em uma situação delicada, como substituto, de última hora, do capitão Emerson, cortado por contusão, o novato foi um dos destaques na vitória sobre a Turquia.

Para Gilberto, mais do que o rendimento técnico e tático dentro do campo, o que mais o ajudou, e continua ajudando, é o apoio que recebe dos companheiros. “Tenho conversado muito com os mais experientes – Cafu, Rivaldo, Roberto Carlos e o próprio Emerson. Todos eles estão me dando muita força nesse momento.” Sobre a responsabilidade de entrar na vaga que, até então, era ocupada pelo capitão do time, o volante procurou se mostrar tranqüilo. “Não tem segredo. O negócio é procurar cumprir o que o treinador pede da melhor forma possível.”

O semblante de Gilberto é de alívio. O que mais o incomodava (e também ao treinador) na Espanha, na Malásia e até mesmo na última semana, na Coréia do Sul, durante a fase de preparação, era a insegurança de disputar a primeira Copa. Passada a tensão da estréia, o jogador diz acreditar que tem toda a condição de permanecer no time titular nas próximas partidas. Mas, evidentemente, não esquece de cuidar da política interna. “Isso (a permanência na equipe) vai depender do Felipão”, observou, sem disfarçar a satisfação de saber que Scolari, poucos minutos antes em sua entrevista pós-jogo, afirmara que pretende manter o mesmo time para iniciar o jogo frente os chineses.

Papo

E por falar no treinador da seleção, Gilberto garantiu que parte da confiança que demonstrou contra os turcos veio do próprio Scolari. O atleta contou que na noite da véspera quando teve de definir o corte de Emerson, o atleta foi chamado por Scolari em seu quarto para uma conversa. “Ele (o técnico) me disse o que estava acontecendo e o que esperava de mim”, lembrou. “Foi um papo muito bom. Transmitiu bastante segurança.”