Ronaldo virou nome proibido na Internazionale. A saída do artilheiro do Mundial foi traumática para o clube – e torcedores e dirigentes ainda não a assimilaram. A imagem de ?traidor?, que os italianos agora que lhe impuseram, foi reforçada nesta terça-feira por Massimo Moratti. O presidente do clube milanês deu entrevista ao jornal La Repubblica, na qual não poupa críticas ao atacante.

?Ronaldo foi para o Real porque lhe ofereceram um punhado a mais de moedas?, criticou o dirigente, que relutou em cedê-lo por US$ 45 milhões. ?Para um jogador desse nível, foi uma decisão ridícula, pois em troca de dinheiro jogou fora a reputação.?

Moratti reafirmou a tese de que não acredita que o motivo para Ronaldo deixar a Inter tenha sido os desentendimentos com o técnico Héctor Cúper. Em sua avaliação, o atacante recorreu a pretexto ?falso? para satisfazer a seu interesse de transferir-se para o Real Madrid. ?Ele se preocupou apenas com si mesmo?, acusou. ?Renegou valores fundamentais para quem ama o clube, como fidelidade, respeito à camisa?, ponderou. ?Os torcedores não o perdoariam. Foi até bom que tenha ido embora.?

Moratti acha que o sucesso subiu à cabeça de Ronaldo, mas procura encerrar o episódio com um crédito de confiança a Hernán Crespo, o argentino que veio da Lazio. No fim do ano, a Inter terá Solaris, outro argentino, que vem do Real.

Ronaldo tratou de defender-se, no fim de semana, em entrevista a uma emissora de televisão da Espanha, na qual diz que não se sente ?mercenário? nem traidor da Inter. Ele garante que a partir de agora pretende dedicar-se ao novo clube. Para tanto, empenha-se nos treinos, como o desta terça-feira, ao lado do preparador físico Javier Miñano. A estréia pode ocorrer dia 25, contra o Gent, da Bélgica, pela segunda rodada da Liga dos Campeões.