Nove jogos de invencibilidade, sete vitórias seguidas, Washington e Dagoberto formando o ataque e o embalo da mídia nacional enaltecendo o futebol do Tricolor paulista. Tudo isso, no entanto, não foi suficiente para intimidar o Atlético, que mais uma vez mostrou quem é que manda no Caldeirão.

Num dia histórico para o clube, devido à inauguração do setor que completa o 1.º anel da Arena da Baixada, o Furacão foi superior ao São Paulo e venceu por 1 a 0, com um gol do incansável Paulo Baier, no finalzinho da partida.

O resultado deixa o Atlético na 13.ª posição, no rebolo pela Sul-Americana. O próximo compromisso rubro-negro será somente no dia 29, contra o Náutico, em Pernambuco.

Allan Costa Pinto
Torcida fez a sua parte, jogou junto e deu recado ao adversário.

A festa no estádio começou antes da bola rolar. A torcida compareceu em bom número para incentivar o time contra o “rival” São Paulo e ajudar a manter o tabu diante do time paulista, que não vence na Arena desde a inauguração em 1999.

Com o setor Brasílio Itiberê tomado de vermelho e preto, o grito da torcida atleticana ecoou ainda mais forte e o principal alvo do público foi o antigo ídolo e hoje praguejado Dagoberto. O atacante foi bastante xingado durante todo o tempo que permaneceu em campo.

Com a bola rolando aos poucos começou a ser delineado o que seria o duelo da tarde fria em Curitiba. Paulo Baier contra Rogério Ceni. No 1.º tempo, o Atlético foi superior ao São Paulo até aos 20 minutos, quando criou duas boas chances com Márcio Azevedo e Marcinho.

Depois o São Paulo equilibrou e nos minutos finais dominou a partida. Devido ao nítido nervosismo entre as equipes o que mais se viu em campo foram passes errados, chutões para frente e jogadas ríspidas. Tanto que Chico poderia ter sido expulso aos 40 minutos, após um carrinho faltoso.

No 2.º tempo, Lopes ajustou melhor o posicionamento de sua equipe que, sem perder o poder de marcação, começou a jogar com a bola no chão e a criar chances. E o esperado embate se acirrou.

Aos 5 minutos, Baier chutou cruzado e Ceni defendeu com as pernas. Aos 12, Baier lançou Wallyson na frente do camisa 1, que fez grande intervenção. Seis minutos depois, Ceni defendeu, no reflexo, falta cobrada pelo camisa 10 rubro-negro.

O São Paulo sentiu na pele o que é enfrentar a forte química entre torcedor e time no Caldeirão. Se retraiu em campo e não ameaçou o gol do Furacão. Porém com o passar do tempo, o Atlético também foi perdendo o seu ímpeto e diminuiu o ritmo. Mas quando tudo indicava um empate sem gols, o maestro atleticano reapareceu.

Aos 41, Baier carregou a bola pela meia cancha e passou para Pimba na lateral direita. O experiente jogador correu para a área, tirando fôlego não se sabe de onde, e antecipou a saída de Rogério Ceni. Com uma cabeçada certeira, venceu o adversário e pôs abaixo a Arena com tamanha vibração do público.

Antes do término da partida, entretanto, Galatto também fez seu papel, salvando o empate são-paulino. Com o apito final, festa total no estádio atleticano, com direito a gozação à torcida rival e mais xingamentos a Dagoberto. O domingo não poderia ter sido melhor para o torcedor rubro-negro.

Allan Costa Pinto
Dagoberto foi xingado e vaiado durante todo o tempo.