O Atlético chega hoje à sua última partida no ano recordando seu principal momento na temporada 2005. Afinal, ao enfrentar o São Paulo, no Morumbi, é impossível para o Rubro-Negro esquecer a histórica campanha na Copa Libertadores, que culminou a conquista do vice-campenato da América.

E é justamente no reencontro com seu algoz na decisão do título continental que o torcedor atleticano chega a uma curiosa conclusão: a participação na Libertadores de 2005 tirou o Furacão da Libertadores de 2006.

A inusitada constatação se revela se considerarmos apenas os jogos disputados pelo Furacão depois de encerrado o torneio internacional. Após a derrota para o tricolor paulista na final do maior campeonato do continente, o Atlético disputou 30 partidas pelo campeonato brasileiro, conquistando 52 pontos. O aproveitamento de 57,7% colocaria o Rubro-Negro à frente do Fluminense, atualmente o último classificado para a Libertadores. Em quarto lugar no Brasileirão, o Flu conquistou 55% dos pontos disputados na competição.

A comparação faz sentido quando se recorda a péssima campanha do Atlético nas primeiras rodadas do campeonato nacional. Com as atenções totalmente voltadas para a disputa do título continental, o Furacão amargou resultados que provavelmente não se repetiriam se o foco estivesse voltado apenas para o Brasileirão.

Foram seis derrotas consecutivas logo na largada, três delas na Baixada, onde o time se mostrou imbatível no restante da competição. Na maioria desses jogos, o Atlético entrou em campo com um time reserva, poupando os principais jogadores para a disputa internacional.

A primeira vitória veio apenas na décima rodada, justamente na última partida antes da decisão do título continental. Novamente com a equipe reserva, o Furacão venceu o clássico Atletiba por 1 a 0, na Baixada, no jogo que marcou o início de uma fulminante reação.

Encerrada a Libertadores, o Atlético pôde, finalmente, dar atenção exclusiva ao Brasileirão. E a partir daí, a campanha até então desastrosa se tornou uma das melhores da história do Rubro-Negro no campeonato nacional. Algumas partidas, certamente, ficarão marcadas para sempre na memória do torcedor atleticano, como a vitória diante do São Paulo por 4 a 2, os incríveis 5 a 4 contra o Cruzeiro e as históricas goleadas de 7 a 2 sobre o Vasco e 4 a 0 contra o Palmeiras.

Por tudo isso, a volta por cima que tirou o Atlético da lanterna e o colocou na condição de melhor clube do Estado no Brasileirão deixa a torcida rubro-negra com um gosto de "quero mais". A galera, com certeza, está feliz com o desempenho do clube e a classificação para a Copa Sul-Americana. Mas também sabe que um pouco mais de sorte no início do campeonato nacional colocaria o Furacão de novo na principal competição do continente.

São Paulo faz a despedida e vai amanhã ao Japão

São Paulo – Um treino de luxo antes da viagem, amanhã à noite, para o Mundial de Clubes da Fifa. É dessa forma que o São Paulo encara o jogo contra o Atlético. Sem chances de brigar por melhores posições no Brasileiro é o 12.º colocado, com 55 pontos e nem se importando se vai para a Copa Sul-Americana em 2006, o time está concentrado apenas no torneio mais importante do ano, do dia 11 ao dia 18, no Japão a estréia será dia 14, contra o ganhador de Al-Ittihad, da Arábia, e Al-Ahly, do Egito.

O duelo contra os paranaenses é a chance de o técnico Paulo Autuori testar Grafite num jogo oficial. O atacante disputou dois jogos-treinos desde que voltou aos gramados, e diz não sentir dores no joelho direito. "Aos poucos, vou readquirindo a confiança", diz Grafite.

Apesar do caráter de treinamento, Autuori não poderá escalar o time completo: não terá o goleiro Rogério Ceni, com lesão no pé direito, e o volante Josué e o atacante Amoroso, suspensos. O treinador diz que a comissão técnica fez tudo o que poderia para preparar adequadamente o elenco para o mundial. E espera que a ansiedade não atrapalhe o time. "Os jogadores não podem perder rendimento por estarem ansiosos", alerta. "Mas a vida vai ensinando isso a eles, ainda são jovens e talentosos."

Sem segredos na formação do time

O time que enfrenta hoje o São Paulo, às 16h, no Morumbi, está definido desde a última quarta-feira. Sem mistérios, o técnico Evaristo de Macedo confirmou a equipe novamente no 3-5-2. As principais novidades são o retorno do meia Evandro e do zagueiro Danilo.

Sem poder contar com Paulo André, afastado devido uma tendinite, Evaristo manteve os zagueiros Durval e Adriano. O meio-de-campo tem o retorno de Evandro, que vai atuar ao lado de Alan Bahia e Cristian. Jean Carlos e Moreno serão mantidos nas alas. Outra novidade está no ataque. O colombiano David Ferreira foi deslocado para o setor, ao lado de Finazzi.

Mesmo com a vaga na Copa Sul-Americana já assegurada, os jogadores garantem que não vai faltar motivação para vencer o tricolor paulista. "Ser o melhor clube do Estado representa muita coisa para nós. O Atlético teve um início no Brasileiro muito ruim, porque priorizou a Libertadores. Demos a volta por cima e será uma vitória ser o melhor do Estado", afirma o zagueiro Adriano, lembrando que uma vitória diante do São Paulo garante o Furacão como o melhor time do Paraná no Brasileirão.

Campeonato Brasileiro
42.ª rodada
Súmula
Árbitro: Cláudio Mercante Jr. (PE)
Assistentes: Jossemmar José Diniz Moutinho (PE) e Irani Pinto da Paz (PE)
Horário: 16h
Local: Morumbi, em São Paulo.
Televisão: PPV, canal 77 da Net.

SÃO PAULO x ATLÉTICO

São Paulo
Rogério Ceni (Flávio); Fabão, Lugano e Edcarlos; Cicinho, Denílson, Mineiro, Danilo e Júnior; Christian e Thiago (Grafite). Técnico: Paulo Autuori.

Atlético ­
Diego; Danilo, Durval e Adriano; Jeancarlos, Alan Bahia, Cristian, Evandro e Moreno; Ferreira e Finazzi. Técnico: Evaristo de Marcedo.