Pouco depois de o Comitê Olímpico da Rússia anunciar nesta terça-feira que o atleta russo Aleksandr Krushelnitckii, medalhista de bronze na prova de duplas mistas do curling nestes Jogos de Inverno de Pyeongchang, teve confirmado o uso da substância proibida meldonium na contraprova do exame antidoping que realizou na Coreia do Sul, o competidor se pronunciou oficialmente, por meio de um comunicado, para afirmar que nunca se dopou em toda a sua carreira no esporte.

“Estou disposto a afirmar abertamente que nunca, nenhuma uma única fez, em todo o tempo como esportista utilizei substância proibidas ou qualquer outro sujo método”, garantiu o atleta, que conquistou o terceiro lugar do pódio formando dupla com a sua mulher, Anastasia Bryzgalova, antes da revelação do caso de doping na última segunda-feira.

Krushelnitski disse que o fato de o exame antidoping e a contraprova do mesmo apontarem o uso de meldonium foi “um choque” para ele e sua esposa. “Foi um grande revés tanto para nossa reputação como para nossa carreira”, lamentou o competidor, que também enfatizou que “mais do que ninguém” está interessado na investigação criminal aberta pelo Comitê Olímpico Russo para apurar possíveis responsáveis para a ocorrência deste caso.

Horas antes de o atleta se manifestar, a entidade expressou “sinceras lamentações” pelo incidente, mas enfatizou que Krushelnitsky consumiu meldonium apenas uma vez e destacou que o seu uso seria “absolutamente inútil e ineficaz” se tivesse sido utilizado para melhoria do seu desempenho esportivo.

Proibido desde janeiro de 2016 para esportistas, o meldonium foi listado entre as substâncias proibidas pela Wada ao ser qualificado como um “modulador metabólico” devido “ao uso de atletas para aumentar a performance”. Este medicamento é usado para tratar doenças cardíacas e aumenta o fluxo cardíaco no músculo do coração.

Ao abordar o assunto nesta terça, até o presidente da Rússia, Vladimir Putin, considerou que o meldonium não pode ser considerada uma substância dopante neste caso, por acreditar que a mesma “só fortalece o coração quando há grandes cargas de trabalho” exigidas ao competidor, o que normalmente não acontece em um esporte como o curling.

Com a Rússia proibida de competir nesta Olimpíada de 2018 sob a sua bandeira por causa do enorme escândalo de dopagem durante a edição passada dos Jogos de Inverno, em Sochi-2014, Krushelnitsky e Bryzgalova estão entre os 168 atletas russos que participam do grande evento sul-coreano defendendo uma bandeira neutra e sem poderem usar uniformes contendo o nome ou as cores da nação.

BALANÇO DO DIA – Ofuscados de alguma maneira por mais um escândalo em um dia no qual também foi deflagrado um caso de doping envolvendo um jogador de hóquei no gelo da seleção eslovena, Ziga Jeglic, os Jogos de Inverno viveram uma intensa terça-feira de disputas em Pyeongchang.

Em uma delas, a Alemanha se garantiu nos três lugares no pódio no combinado nórdico em uma disputa de esqui que conta com saltos e cross-country. Johannes Rydzek levou o ouro, Fabian Riessle faturou a prata e Eric Frenzel ganhou o bronze.

Foi o 11º ouro da Alemanha nestes Jogos, mesmo número obtido pela Noruega, que lidera o quadro de medalhas por possuir mais pratas (10 a 7). Logo atrás destes dois países está o Canadá, que contabilizou mais dois ouros e chegou a oito na Coreia do Sul. Os pódios dourados vieram com Cassie Sharpe no esqui estilo livre halfpipe e com a dupla Scott Moir e Tessa Virtue na patinação artística na prova de dança no gelo.

Os outros dois ouros do dia foram conquistados pela equipe francesa do biatlo misto de revezamento e pelo time feminino da Coreia do Sul na patinação de velocidade na prova de revezamento de 3.000 metros.