O Santos dá neste domingo o penúltimo passo rumo à conquista do terceiro tricampeonato paulista de sua história – o primeiro sem a presença de Pelé -, contra o Guarani, a partir das 16 horas, no Morumbi. Com Neymar em campo, não será surpresa se a decisão se resumir ao primeiro jogo do confronto e, se a segunda final, no próximo domingo, também no Morumbi, se transformar em festa de encerramento do Paulistão esvaziado com a ausência de um dos integrantes do chamado Trio de Ferro (Corinthians, São Paulo e Palmeiras) na briga pelo título.

O Guarani, intruso na festa, garante que não será apenas coadjuvante. Depois de empatar com o Corinthians e São Paulo fora de casa na primeira fase, vencer dois duelos contra o Palmeiras em Campinas e ainda passar com sobras sobre a Ponte Preta no dérbi da semifinal, o time acredita que pode devolver a única derrota que teve contra um grande neste Paulistão, justamente o Santos, no Estádio Brinco de Ouro.

De qualquer forma, o troféu de campeão só não vai para o Memorial das Conquistas da Vila Belmiro se ocorrer dois enormes desastres do futebol com o mesmo time em apenas uma semana. Com todo o favoritismo, o técnico Muricy Ramalho vai comandar o Santos no estádio em que fez história com a conquista de três títulos brasileiros em sequência (2006, 2007 e 2008), pelo São Paulo, e onde também brilhou como jogador nos anos 70.

Apesar do desequilíbrio de forças na final, o treinador santista, sempre cauteloso, poderá repetir a estratégia de domingo passado, com uma postura mais defensiva para tentar o gol em contra-ataque ou em cima de falhas do adversário, sem expor a fragilidade de sua defesa, especialmente pelo lado direito.

Como a força do Guarani é a velocidade do seu ataque, principalmente com Fabinho pelo esquerda, Muricy poderá optar pela formação com três zagueiros – Bruno Rodrigo pela direita, Edu Dracena pelo meio, na sobra, e Durval na esquerda. Ou então escalar Anderson Carvalho como primeiro volante e improvisar o volante Adriano na lateral direita.

Apesar de estar em clara vantagem, o comandante santista prefere fazer mistério, com o pretexto de ainda ter esperança de contar com o goleiro Rafael e o volante Henrique (vinha atuando deslocado na lateral direita), o que seria temerário porque os dois não treinaram com bola na semana.

No ataque, Alan Kardec deve ser mantido ao lado de Neymar porque está melhor do que Borges no momento e foi quem abriu o caminho, ao sofrer o pênalti nos primeiros minutos, para despachar o São Paulo na semifinal do domingo passado.

Suspense à parte, o que importa é que Neymar vai jogar. Durante a semana livre, com folga segunda e terça, treinos em dois períodos na quarta e atividade leve pela manhã nos três últimos dias, sobrou tempo para a maior estrela santista ensaiar a comemoração do seu 104º gol pelo Santos, correndo trançando as pernas e jogando os braços, como fazia Serginho Chulapa.

Serginho Chulapa está empatado com João Paulo na liderança dos artilheiros do clube depois que Pelé parou de jogar, ambos com 104 gols. Neymar soma 102. Assim, se repetir a façanha do domingo passado, contra o São Paulo, marcando três vezes, o garoto de 20 anos assume isoladamente a ponta, estabelecendo a ligação direta entre as duas eras mais vencedoras do Santos: a de Pelé e a dele.

Do outro lado, se sentindo um estranho inoportuno numa festa que deveria ser para celebridades, o Guarani só pensa em não fazer feio. Quer provar que não chegou tão longe por acaso. E confia nas palavras do seu técnico, o experiente Osvaldo Alvarez, conhecido como Vadão.

“O Guarani chegou jogando bola, não foi na base da sorte. Nosso time tem o seu brilho e vamos manter nosso esquema de jogo. Vamos jogar do nosso jeito, ofensivamente. O desafio é fazer mais gols que eles. Não vamos jogar como vice. Vice nós já somos. Agora, queremos ser campeões”, prega o treinador do Guarani.

Para que não fique apenas no discurso, Vadão pretende repetir o esquema de manter Fabinho aberto pela esquerda e apostar na velocidade de Medina, substituto do experiente Fumagalli (contundido). Outra baixa sentida deve ser na lateral direita, já que Oziel, destaque no dérbi da semana passada, está fora.