Aliviada com o bom estado de saúde do zagueiro Preto, que foi agredido por um policial militar durante o jogo com o Paysandu, na noite de ontem (24), no estádio Mangueirão, a diretoria do Santos registrou nesta quinta-feira queixa contra os agressores na Delegacia de Crimes Contra a Pessoa de Belém, no Pará. O jogador, que não teve constatada nenhuma lesão grave após ser acertado com um golpe de cassetete, foi submetido, inclusive, a exame de corpo de delito no Instituto de Criminalística Renato Chaves. Mas a notícia boa é que ele está liberado para enfrentar o Flamengo, no sábado, pelo Campeonato Brasileiro.

Além de Preto, o técnico Emerson Leão foi atacado pela PM com um spray de pimenta que lhe atingiu os olhos. A confusão toda começou quando os jogadores do Santos foram reclamar com a arbitragem um impedimento no lance do segundo gol do Paysandu – que não existiu -, na vitória do time paraense por 2 a 1. Ao protegerem os árbitros, os policiais apelaram para a violência e atacaram os santistas.

?Foi uma coisa covarde, porque eu não estava esperando aquilo?, contou Preto. Ele relatou que estava no meio de outros jogadores de seu time, quando um dos policiais, que admitiu não poder identificar, desferiu um violento golpe em sua cabeça, fazendo-o perder os sentidos. ?É complicado depor nessas circunstâncias, mas só quero que a justiça seja feita contra esse policial violento?, pediu o jogador.

De acordo com o médico do Santos, Antonio Taira, houve um corte profundo na parte posterior da cabeça de Preto. No hospital onde foi internado, o zagueiro foi submetido a uma sutura e depois passou por exame de tomografia, que não revelou nada grave.   

O delegado encarregado do caso, Osmar Lima, adiantou que está tentando identificar o autor da agressão para processá-lo por crime de lesão corporal. Ele, inclusive, já solicitou ao comando-geral da PM a apresentação do agressor para que seja ouvido no inquérito.

O comandante do Batalhão de Choque da PM, major Heraldo, informou que já está ouvindo os policiais que estavam no estádio Mangueirão para saber o que de fato aconteceu. ?Pelo que sei até agora, a agressão foi um ato isolado de um policial militar?, adiantou.

Outros policiais que estavam no estádio contaram que alguns jogadores do Santos, entre eles Preto, chutaram os policiais.

Leão, que também registrou queixa contra os policiais, criticou com veemência os policiais que estavam no estádio. ?Esses policiais são uns assassinos e incompetentes. Eles deveriam fazer isso com seus filhos e mulheres. É por causa disso que ninguém confia na polícia?. Ao acordar nesta quinta-feira, o treinador revelou que teve uma péssima noite: ?Meus olhos ainda estão ardendo?.