São Caetano do Sul – Bem que o técnico do Corinthians Carlos Alberto Parreira, avisou: o São Caetano seria um dos maiores “pesadelos” do Campeonato Brasileiro. Dito e feito. A equipe orientada por Mário Sérgio aplicou o tradicional “baile” ontem, em São Caetano do Sul, e venceu por 3 a 0. O nome do jogo foi Claudecir, autor de dois gols. Já do lado corintiano predominaram os protestos. Indignada, a torcida não poupou a defesa. “Queremos um goleiro!” e “É a pior defesa do Brasil!” foram os gritos.

Encerrado a partida, os jogadores do Corinthians demonstravam bastante irritação. Enquanto uns se queixavam do comportamento da equipe, outros estavam chateados com os torcedores. “Precisamos nos adaptar à nova realidade para evitar que desastres como esse voltem a acontecer”, disse o atacante Gil. Já o zagueiro Scheidt, nominalmente criticado pela torcida, desabafou. “Quando ganhamos, eles aplaudem. Eu tenho contrato até o fim do ano e vou cumprir”, disse.

Na relação de jogadores do São Caetano que começariam a partida, Claudecir, que se notabilizou como volante, aparecia como uma espécie de terceiro zagueiro. Estranho, se considerada a habilidade e bom toque de bola que marcam seu estilo. Contudo, bastou o jogo começar para mostrar que o registro como zagueiro era simples formalidade. Com liberdade para armar jogadas e avançar no apoio ao ataque, Claudecir revelou-se uma verdadeira ‘arma secreta’ de Mário Sérgio.

E não demorou muito para esse fato ficar evidente. Depois de desperdiçar boa oportunidade logo aos 2 minutos, Claudecir fez a diferença aos 7. Após boa jogada do lateral-direito Marlon, a bola foi cruzada para o meio da área. Livre de marcação, o ‘curinga’ do ABC concluiu de cabeça, observado pelos distraídos zagueiros corintianos.

À vontade no gramado, até mesmo jogadores pouco conhecidos do São Caetano começaram a ‘abusar’. Foi o caso do lateral-esquerdo Fábio Santos, que entrou o lugar do titular Lúcio, machucado. Aos 19, ele driblou a zaga e tocou para Claudecir que, de frente para o gol, chutou por baixo de Doni e ampliou o marcador.

Sem Guilherme, que sofreu uma lesão no joelho direito na véspera da partida, o ataque do Corinthians mostrava-se sem referência. Deivid e Gil ficaram isolados, mas ainda tiveram chances para chegar ao gol, sobretudo nos 10 minutos finais do primeiro tempo, quando o ritmo do São Caetano diminuiu.

No segundo tempo, já cansado e com vantagem no placar, o time do ABC priorizou os contra-ataques. Assim, o Corinthians teve mais espaço para jogar. No entanto, o que era para ser algo positivo, serviu somente para evidenciar outro grave problema dos corintianos: a finalização.

Sobraram passes errados e chutes sem direção, o que irritou os torcedores. Alguns deixaram o estádio antes mesmo dos 20 minutos. Bom para o São Caetano. Aos 32, mais uma vez a zaga ficou assistindo a um cruzamento que encontrou o jovem Edu Sales sozinho, no meio da área.

Sem trabalho, o atacante marcou o terceiro.

Gols: Claudecir aos 7 e aos 19 minutos do primeiro tempo; Edu Sales aos 32 do segundo.

São Caetano – Luciano; Dininho, Serginho e Claudecir; Marlon, Magrão (Irinei), Adãozinho, Anaílson (Daniel) e Fábio Santos; Wágner (Edu Sales) e Adhemar. Técnico – Mário Sérgio.

Corinthians – Doni; Rogério, Scheidt, Fábio Luciano e Kléber; Fabrício, Fabinho (Gilmar), Vampeta e Renato; Deivid e Gil. Técnico – Carlos Alberto Parreira.