Kobe (AE) – O goleiro Marcos, um dos destaques da seleção na vitória sobre a Bélgica, já sabe qual o recurso para conter a Inglaterra. Indagado sobre a força do time inglês, ele foi rápido na resposta. “Eles têm o Owen, um jogador de muita habilidade com a bola no chão, o Beckham, que aproveita bem as cobranças de falta, mas nós temos Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho, tá bom, não tá?”

Depois de evitar pelo menos dois gols dos belgas, Marcos dividiu a boa atuação com os demais companheiros. Disse que temeu por alguns instantes que a partida fosse decidida na prorrogação. “Ali, uma bola qualquer, despretensiosa, derruba uma seleção.”

O goleiro fez orações ainda em campo e lembrou da lesão de pulso sofrida ano passado e que quase o deixa inapto para o futebol. “Eu estava operado da mão e nem sabia se ia voltar a jogar bola, hoje estou disputando a Copa do Mundo e fui muito bem na partida; dedico a Deus essa vitória.”

O ataque da Bélgica, em sua avaliação, deu mais trabalho que os dos últimos adversários. Não considerou o fato como um acúmulo de erros de marcação ou de posição em campo. Marcos atribuiu à Bélgica qualidades para criar oportunidades. “Era um time que estava invicto na Copa”, afirmou. Os belgas na primeira fase empataram duas partidas e ganharam da Rússia.

Ao analisar falhas apresentadas no jogo com a Costa Rica disse que o time evoluiu bastante na partida de ontem. “Temos que melhorar ainda, sabemos disso.” Para enfrentar a Inglaterra, além de contar com a força do trio de “Erres”, deixou claro que o Brasil precisa ficar bem atento às bolas cruzadas na área. “É o jogo deles.”

Ele escolheu sua defesa mais difícil no jogo, ainda no primeiro tempo, num chute de fora da área de Wilmots. “A bola quicou no cantinho, eu fui com a pontinha dos dedos, meu ombro gemeu.”

Roberto Carlos: jogo não é final antecipada

Kobe

(AE) – O lateral Roberto Carlos não quer encarar o jogo contra a Inglaterra, sexta-feira, como uma final antecipada da Copa do Mundo, como muitos já insistem em falar. “A final é dia 30 e a Inglaterra é uma fase a mais que vamos enfrentar”, disse após a suada vitória por 2 a 0 sobre a Bélgica. “É outro time que temos que tentar passar por cima”.

O brasileiro sabe que agora a dificuldade agora será muito maior, mas está confiante de que basta o Brasil apenas manter o trabalho feito até agora. ” Sabemos que vai ser um jogo complicado como foi esse de hoje, mas se jogarmos com a mesma responsabilidade, a chance de vencer é muito grande”. A confiança, segundo ele, não significa atribuir favoritismo ao time brasileiro. Nem ao inglês. “Essa Copa está muito igualada. Nessas fases que vêm agora, não existe favoritismo”.

Mesmo não dizendo se tratar de uma final antecipada, Roberto Carlos lamenta que uma das seleções tenha que sair nessas oitavas-de-final. “Infelizmente, um dos dois tem que ir embora, Mas eu acho que tanto a seleção brasileira quanto a inglesa fizeram até o momento grandes jogos e merecemos todos estar nessa posição”.

Sobre a dificuldade na partida contra a Bélgica, Roberto Carlos disse que não foi surpresa. “Eu já esperava porque é um time que joga muito em bola aérea. Eles não chegaram a ter tanto toque de bola, mas escanteio, falta e lateral são muitos perigosos. A receita para vencer a Inglaterra, segundo o jogador do Real Madrid é simples: “a maior dificuldade já passamos, agora é só manter a mesma base de trabalho que chegamos à final”.

Wilmots garante “erro” do árbitro

José Eduardo Savóia

Kobe

(AE) – Wilmots, sempre ele. Em campo, infernizou Roque Júnior, Edmílson e Lúcio. Fez um gol absolutamente legal, anulado pelo árbitro, e ainda deu um trabalho enorme ao goleiro Marcos. Fora de campo, inconformado com as circunstâncias da derrota, foi até o vestiário do árbitro e só saiu de lá após conseguir uma confissão do jamaicano Peter Prendergast: o gol da Bélgica foi legítimo. “Ele mesmo me disse que se equivocou naquele lance. Vendo o teipe, após a partida, reconheceu que não fiz falta alguma no brasileiro”.

Só após ouvir a confissão do árbitro, Wilmots sossegou. Depois, bateu forte nos zagueiros brasileiros de uma forma geral. “Quase me arrebentaram o nariz, de tantas cotoveladas que recebi”, afirmou.