São Paulo – O São Paulo deve anunciar o nome do substituto do técnico Emerson Leão apenas na próxima semana. Cinco treinadores estão no ?conclave? da diretoria: Muricy Ramalho (Internacional), Cerezo (Kashima Antlers) e Levir Culpi (Cruzeiro), os preferidos e Péricles Chamusca (Goiás) e Zetti (desempregado), correndo por fora. Até lá, o auxiliar técnico Milton Cruz dirige a equipe, diante de Universidad de Chile, amanhã, pela Taça Libertadores e Fluminense, domingo na estréia do Campeonato Brasileiro.

Os dirigentes não têm pressa para anunciar o novo treinador. Farão avaliação detalhada, buscando alguém que preencha algumas exigências. ?O São Paulo consegue andar sozinho a curto prazo?, afirmou o superintendente de futebol Marco Aurélio Cunha. Os dirigentes confiam no trabalho de Milton Cruz, apesar de não acenarem com efetivação do interino. Mas quanto tempo leva este curto prazo? ?Na última vez, com Rojas (Roberto, ex-preparador de goleiros) e o próprio Milton Cruz, durou 6 meses. É difícil fazer previsão de tempo.?

Na verdade, temem contratar alguém sem experiência. Ou que seja do ?estilo paizão?. Preferem linha dura, como Leão. Neste quadro, se enquadrariam… ?No Brasil, vejo técnicos jovens emergentes, numa escala secundária. Alguns declinando e outros começando,? afirma Marco Aurélio. Estrangeiro? ?Não passa esta idéia por nossa cabeça. Mas estamos sem pressa, analisando as perdas e fazendo nosso conclave. No País não tem alguém com a carisma do Leão, de excelente discurso e postura.?

Marco Aurélio chegou a trocar palavras com Muricy – estava ontem em São Paulo -, nome bastante elogiado nos corredores do Morumbi. O atual técnico do Internacional não esconde ser grande satisfação em retornar ao clube no qual jogou e já treinou. ?Analisaria com carinho uma proposta?, afirmou, no Debate Bola. O principal empecilho estaria na multa rescisória de R$ 1 milhão com o clube gaúcho.

Muricy, apesar de morar em Porto Alegre, até hoje é sócio do São Paulo – seu filho visita com freqüência o clube -, tem residência próxima ao Morumbi e é muito amigo de Rogério Ceni, o maior ídolo tricolor.

Com medo de perder seu técnico no início do ano, o presidente Fernando Carvalho fez novo contrato com o treinador, até dezembro, e incluiu multa rescisória. Mesmo com a proteção, apela para psicologia emocional para segurar seu comandante. ?Sempre que houve cogitação, tudo acabou resolvido. O Muricy tem contrato, é uma pessoa que costuma honrar seus compromissos, e eu não tenho nenhuma preocupação com essa situação, ainda que seja o São Paulo?, disparou, em entrevista à Rádio Gaúcha.

Tampão, de novo

Esta será a quarta vez que Milton Cruz assume o clube. A última aconteceu na saída de Paulo César Carpeggiani. Mas o ?tampão? tem experiência, já que comandava o time do banco nas passagens de Muricy Ramalho e Mário Sérgio. ?Eles passavam as instruções e eu mandava ver.?

Ser efetivado, porém, deixa Milton Cruz desnorteado. ?O futuro a Deus pertence?, afirmou, num primeiro momento. ?Sou muito estressado, não durmo direito antes dos jogos. É desgastante no começo. Mas… depois acostuma.?

Japão pode ser ponte pra Vila

São Paulo – Leão despediu-se ontem dos jogadores do São Paulo, que dirigiu por sete meses, conseguindo a classificação para a Libertadores e a conquista do título paulista.

O técnico transferiu-se para o Vissel Kobe, do Japão, com um contrato de 20 meses que, garante, cumprirá até o final. Uma hipótese pouco considerada entre os diretores do São Paulo.

A possibilidade de Leão dirigir o Santos a partir de janeiro é considerada muito provável pelos lados do Morumbi. O Vissel Kobe seria um ponte para que Leão pudesse deixar o São Paulo sem ir diretamente para um clube paulista.

A aposta é que ele vai ganhar um bom dinheiro para dirigir o time japonês e um bônus, também alto, para evitar o rebaixamento da equipe. Então, poderia voltar ao Santos, onde seria recebido com ?generosidade? pelo presidente Marcelo Teixeira.

Leão nega. ?Fiz um contrato até o final de 2006 e essa é uma ponte muito longa. Não faria isso. Estou indo para o Japão e vou receber lá o mesmo que ganho aqui. Ainda não entendi por que estou saindo do São Paulo. Vou ficar longe da família, mas sinto que precisava pagar uma dívida que tinha?, diz.

A dívida é com Yasutoshi Miúra, dirigente do Vissel e ex-jogador, que Leão já dirigiu em outras passagens pelo Japão. ?Ele me ligou na sexta-feira e fez uma oferta. Disse que ia pensar e ele me ligou novamente no domingo, após o jogo em Mogi Mirim e eu aceitei. Gosto de desafios.?

Falcão: faltou a emoção do gol

São Paulo – O meia Falcão abandona de vez o futebol de campo sem jamais ter sentido a emoção do gol. Em sua derradeira tentativa no São Paulo, onde trabalhou nos últimos três meses e engoliu muitos ?sapos? do ?preconceituoso? técnico Leão, Falcão nunca teve a chance que sonhava. Não marcou gols. Atuou sempre nos minutos finais de cinco partidas e começou entre os titulares somente na última, contra o Mogi Mirim. ?Fica a frustração de não ter sentido a emoção do gol. Senti o calor da torcida em dia de casa cheia, mas a experiência do gol eu não tive. É frustrante, sobretudo para mim que estava acostumado a fazer gols.?

Falcão recusou a proposta do São Paulo de dois anos e se acertou novamente com o Malwee, seu ex-clube de futsal, até 2007. Vai ganhar cerca de R$ 100 mil e já retomou as negociações para a renovação de patrocínio com os Correios. Estréia no fim de semana contra o Joinville.

?Tive a possibilidade de tentar mais uma vez no campo. Mas não deu certo. A experiência serviu para eu repensar minhas conquistas nas quadras, para onde volto agora. É frustrante, mas continuo sendo o melhor do mundo no futsal?, disse o jogador.

E sai amargurado com Leão. ?Ele fazia questão de me criticar publicamente. Não me deu chance alguma e só me deixou começar atuando no último jogo, um protocolo. Não foi honesto comigo?, desabafou Falcão.