Estádio mais atrasado entre os palcos que vão receber os jogos da Copa do Mundo, a partir de junho deste ano, a Arena da Baixada é a principal preocupação da Fifa para a realização do Mundial no Brasil. Por isso, o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, decidiu voltar a Curitiba e, acompanhado de membros do Comitê Organizador Local (COL), fará hoje, no final da manhã, uma nova visita às obras. Mais do que isso, Valcke deverá dar um ultimato aos organizadores do evento da capital e cobrar de forma enérgica maior agilidade no andamento das obras para que o Joaquim Américo fique pronto para receber as quatro partidas do Mundial.

O cartola da Fifa, que tinha outra rota para fazer aos estádios que ainda não foram entregues, decidiu antecipar sua vinda para Curitiba e deve cobrar principalmente da CAP S/A – sociedade de propósito específico para gerir as obras da Arena da Baixada – uma garantia que o palco paranaense fique pronto a tempo para receber as quatro partidas da Copa do Mundo deste ano. A decisão aconteceu depois de o consultor de estádio da Fifa, Charles Botta, visitar o canteiro de obras do estádio atleticano e constatar a lentidão no ritmo das obras. O consultor chegou a recomendar o aumento de 50% no número dos operários para garantir que o estádio seja entregue a tempo do Mundial.

Para atender a recomendação da entidade máxima do futebol mundial, o Atlético alega que precisa de mais dinheiro. Na semana passada, o presidente do clube e da CAP S/A, Mário Celso Petraglia, se reuniu com o Governo do Estado para tentar a liberação de 60% do valor restante do terceiro contrato de financiamento realizado junto à Fomento Paraná, firmado em dezembro do ano passado, no valor total de R$ 65,2 milhões.

Até agora, o clube recebeu R$ 26 milhões deste terceiro contrato. De acordo com a instituição financeira estadual, o valor repassado foi de acordo com as garantias dadas pelo Atlético para receber os recursos. Entretanto, o restante da quantia está condicionado diretamente a outras garantias que o clube precisa dar à Fomento Paraná. Por isso, Petraglia foi até o poder estadual para tentar conseguir a liberação do valor de R$ 39,1 milhões referente ao restante do terceiro contrato, e ainda tentar dispor de uma nova remessa de R$ 15 milhões.

Porém, até agora, nem sempre receber novas remessas de recursos significa ter uma evolução considerável no canteiro de obras. Em junho de 2012, quando a CAP S/A recebeu R$ 30 milhões referente ao primeiro contrato firmado junto à Fomento Paraná, a Baixada tinha 42% das obras executadas. Ao final de outubro, a evolução foi de apenas 3%.

Em janeiro do ano passado, quando o acordo tripartite entre o clube, a Prefeitura e o Governo foi firmado e o financiamento junto BNDES foi aprovado, a CAP S/A recebeu R$ 26,2 milhões referentes à primeira parcela. Depois ainda foram repassados R$ 32,7 milhões na segunda parcela e R$ 26,2 milhões na terceira. No entanto, a evolução das obras foi pequena ao longo do período.