Giba, em ataque pelo meio-de-rede.

Belo Horizonte – Com uma vitória de 3 sets a 0 (25/21 25/19 e 25/22) sobre a Grécia, pela Liga Mundial, a seleção brasileira masculina de vôlei encerrou ontem seus jogos oficiais em casa antes dos Jogos Olímpicos de Atenas, em agosto. O time comandado por Bernardinho segue agora para a Europa, onde enfrentará Espanha e Portugal. Se ganhar quatro sets dessas duas equipes, nos quatro jogos que serão disputados, estará classificada para a fase final, em Roma, de 16 a 18 de julho.

Diante de quase 18 mil pessoas que lotaram o ginásio do Mineirinho, em Belo Horizonte, os jogadores brasileiros ficaram satisfeitos com as últimas apresentações em casa. “Nos despedimos do Brasil mostrando um jogo com volume, que foi o que procuramos melhorar, principalmente na defesa e bloqueio. Demos mais um passo rumo ao objetivo, tivemos paciência para buscar os pontos nos momentos difíceis e não deixamos virar festa quando os momentos eram mais fáceis”, disse o veterano Giovane. Dante, que voltou a fazer uma boa partida, ficou emocionado com o público. “Melhor despedida do que essa, impossível”, resumiu.

O levantador Maurício, que junto com Giovane fez seu último jogo pela seleção no Brasil, agradeceu: “Tenho certeza de que vamos levar essa energia positiva para os momentos mais difíceis na Europa. Agradeço o carinho de todos que lotaram o Mineirinho.”

Outro destaque foi a estréia do ponta Giba na Liga, após se recuperar de contusão. Sobre sua atuação, analisou: “Foi meia-boca. Eu sempre digo que foi meia-boca, nunca digo que está bom. Acho que senti um pouco a falta de ritmo de jogo, os caras estão jogando muito rápido. Só que isso vem com o tempo.”

Bernardinho segue para a Europa preocupado com o saque de seus atletas. “Se continuarmos sacando desse jeito, não vamos ganhar de nenhuma grande equipe. Quando cheguei para o time, em 2001, eles erravam bastante saque. Acho que precisamos retomar essa confiança”, analisa.

Sobre os pontos fortes, o treinador não gosta muito de falar: “Prefiro não ficar falando muito sobre os pontos positivos, se achar que está bom a gente não treina, aí eu perco a minha função. Mas, acho que o sistema ofensivo ainda é nosso melhor, embora tenha muito a melhorar.”

Na programação dos brasileiros, após a Liga Mundial, há quatro amistosos. “Depois da fase final, em Roma, voltamos ao Brasil, damos três dias de folga e voltamos a trabalhar. Estamos negociando dois jogos em Saquarema ou imediações, porque quero ver o Nalbert jogando.

Em seguida, vamos para a França, onde faremos mais dois amistosos, e então seguimos para Atenas”, disse Bernardinho. O técnico indicou as seleções de Cuba ou Venezuela para os amistosos no Brasil: “Enfrentar Cuba seria interessante, porque eles sacam muito forte. Acho que seria um bom teste para o time.”

Realizados os confrontos com a Grécia, o time mais forte do grupo do Brasil, outra preocupação do grupo será manter o mesmo bom desempenho contra Espanha e Portugal, times de nível técnico mais baixo. “Temos de mostrar o mesmo desempenho diante de todas as equipes, mostrar o que somos durante todo o tempo. Hoje todos os jogadores sabem que andam em uma corda esticada. Quem estiver distraído, vai sair. O time tem de mostrar perseverança sempre”, ressalta o técnico.

Na corrida pelas vagas olímpicas, a disputa mais acirrada deve mesmo ser entre os meios-de-rede. Questionado sobre André Heller e Henrique, Bernardinho foi econômico: “O André não jogou nesse fim de semana por causa do rodízio de jogadores. Mas essa é uma boa pergunta. Ainda não sei quem vai ser mais útil lá, na hora. O que posso adiantar é que nessa posição, o melhor hoje é o Rodrigão.”