São Paulo – Os ?anos Barrichello? ensinaram Felipe Massa. Na condição de maior estrela do GP do Brasil – com as exceções óbvias de Alonso e Schumacher, que decidem o título domingo em Interlagos -, o piloto começou ontem sua maratona de compromissos em São Paulo, onde domingo disputa pela primeira vez, diante dos torcedores brasileiros, uma corrida a bordo de um carro da Ferrari.

E foi visível sua preocupação em fazer tudo ao contrário de seu antecessor no time de Maranello: nada de promessas.

Vai ganhar? É sua maior chance de vitória? Prefere chuva? Pista seca? Vai ajudar Schumacher? Vai ter um supermotor? Como será a dupla com Raikkonen? As perguntas foram se sucedendo numa entrevista coletiva organizada pela Bridgestone, e Felipe respondeu a todas com paciência e atenção, evitando criar expectativas falsas para a prova.

?É claro que vou lutar para largar na frente e pela vitória, seria um sonho se isso acontecesse no meu país. Mas existe uma chance pequena de Schumacher ser campeão, e se Alonso estiver fora dos pontos, é claro que vamos fazer tudo na equipe para ajudá-lo?, disse. ?Sinto que Michael está tranqüilo, só fala no título de construtores, mas é claro que vai fazer o máximo para vencer a corrida e ver o que acontece no final.? Para ser campeão, o alemão precisa chegar em primeiro e torcer para Alonso não pontuar.

Felipe, na verdade, está de olho em 2007, muito mais do que no GP de Interlagos, que encerra o mundial. Depois de ganhar sua primeira corrida, na Turquia, falou que se sente mais ?relaxado? e que tem ?trabalhado melhor?. No ano que vem, seu companheiro será Kimi Raikkonen. ?O fato de eu já estar na equipe há algum tempo vai me ajudar. Ele é novo, como eu, e nunca foi campeão, também. Acho que minhas chances serão maiores. Vou lutar por vitórias e, espero, pelo título. Mas sem prometer nada, porque não gosto de promessas.?

Segundo Massa, a Ferrari não tem nenhuma definição sobre primeiro e segundo piloto na próxima temporada. ?Cada um luta para conquistar seu espaço. Michael conquistou isso na equipe. Acho que os primeiros treinos e as primeiras corridas no ano que vem vão ser decisivas para a gente saber quem terá essa condição no time.?

A saída de cena de Schumacher, para o brasileiro, será ?negativa para a F1?. ?É uma perda para o evento e para o esporte em geral. Mas isso já aconteceu no passado, com Stewart, Prost, Senna, Lauda… E surgiram outros campeões. Vai ser assim de novo?, aposta.

Os treinos em Interlagos começam na sexta-feira, a partir das 11h. Hoje e amanhã, os pilotos que já estão no Brasil participam de várias atividades promocionais, como partidas de golfe, almoços, entrevistas e provas de kart para convidados.

Renault vem para vencer

São Paulo – O noticiário indicando que a Renault vai colocar no carro de Alonso, neste fim de semana, um motor menos potente e mais confiável não convence muito Felipe Massa. ?Isso não é verdade. Tanto eles quanto a Ferrari vão ter motores novos aqui. Esses motores são preparados para durar duas corridas. Motor nenhum vai quebrar na primeira. Acho que eles podem até treinar poupando o equipamento, mas na classificação e na corrida, vão andar no limite?, falou.

Barrichello evita falar de Schumacher

São Paulo – Perto da última prova do ano, Rubens Barrichello participou ontem do Circuito Ayrton Senna de Golfe, no Clube de Campo São Paulo. Falou um pouco sobre golfe, sobre a primeira temporada na Honda, e evitou falar do ex-companheiro de Ferrari, Michael Schumacher, que se aposenta logo após o GP do Brasil. ?Não vou ficar lembrando muito dele, não?, disse.

O piloto da Honda, que está na sétima posição do campeonato e conquistou apenas 28 pontos, joga golfe nas horas vagas. ?É uma semana tão cheia que vale a pena dar uma soltada no golfe?, assinalou. Mas no golfe está mais para uma Ferrari ou Super Aguri? ?Estou no meio…. uma Hondinha. É bom poder estar aqui. Vou dar mais de mim porque esta é uma competição que vale muito por levar o nome de alguém que vale muito para mim. O Ayrton me deus ótimos conselhos e a amizade. Mas não tenho treinado golfe tanto quanto gostaria.?

Sobre a expectativa para a corrida em Interlagos, Rubinho ressaltou: ?Eu venho para cá com a experiência de 14 anos, mas a vontade da primeira vez. Não venho com expectativa de vitória, como vim nos últimos seis anos com a Ferrari. Isso tira um pouco da pressão, mas ao mesmo tempo não tira a vontade de fazer bonito em casa?.

O piloto admitiu que a temporada na Honda ficou abaixo das expectativas. ?O campeonato realmente não foi como planejei, especialmente as três primeiras provas. Estou numa fase melhor agora?, analisou.

O piloto da Honda também deu seu palpite para decisão de domingo: ?É improvável que a taça saia da mão do (Fernando) Alonso?.

Rubinho só ?azedou? quando questionado sobre Michael Schumacher. ?Todo, digamos assim, esportista, tem sua hora de parar. Foi um momento certo. Na minha opinião não vai acabar como campeão, mas acabou bem. É difícil falar sobre a imagem que fica dele. Foram seis anos juntos, e apesar de não querer lembrar de coisas ruins têm coisas que marcaram. Mas não tenho uma imagem fixa do que passou. Também tivemos momentos bons.?

?Mais momentos bons ou ruins? ?Não importa. Não vou ficar lembrando dele, não?, encerrou.