Uma crise de comando põe em risco uma tradição de 41 anos no futebol paranaense. Depois de quase três décadas, o folclórico dirigente Serafim Meneghel deixou esta semana a presidência do União Bandeirante. Sem sua maior referência e fonte financeira, o time cinco vezes vice-campeão estadual segue em atividade de forma provisória e pode desistir do futebol profissional no fim do ano.

Meneghel alegou ?cansaço? para abandonar o clube – um dos motivos do desgaste foi o alto valor gasto em ações trabalhistas, o que elevou o déficit no orçamento. Na terça-feira, Meneghel e o irmão Antônio Luiz, vice-presidente, renunciaram oficialmente a seus postos. A família Meneghel bancava o União desde a sua fundação, em 1964, com recursos da rica usina de açúcar e álcool da qual é proprietária.

De forma emergencial, um grupo de empresários e comerciantes de Bandeirantes assumiu o controle para que o União pudesse disputar o campeonato paranaense de juniores, que começa amanhã. ?A cidade sentiu o golpe. Cada colaborador deu duzentos, cem, cinqüenta reais ou o que pudesse doar?, conta Benedito Luiz Ferraz, o ?Benê?, líder do grupo e novo presidente do União.

Os novos empreendedores garantem o sustento do time sub-20 do União até o fim do ano. Em 2006, ninguém sabe o que pode acontecer. O clube sempre dependeu do ?mecenato? da família Meneghel, e hoje não há indústrias de peso em Bandeirantes capazes de impulsionar o clube, que tem vaga na Série Ouro do Paranaense.

Entre as saídas cogitadas está o estabelecimento de uma parceria, deixando o futebol do clube à mercê de empresários. ?Passando estes três meses, vamos respirar. Sabemos que a distância entre tocar os juniores e o profissional é enorme?, afirma Benê.