Walter Alves / O Estado do Paraná
Sinval bem que tentou, mas Fabão
soube neutralizar o atacante
paranista que pouco pôde fazer ontem.

O que você, torcedor, mais quer de seu time? Luta, vibração, agressividade, jogo no campo do adversário, uma equipe com muita vontade, um técnico que coloca o time na frente? O Paraná CLube fez tudo isso ontem contra o São Paulo, no Pinheirão. Mas a fragilidade técnica e o desequilíbrio emocional foram fatais, e o tricolor do Morumbi venceu por 2×0.

“O maior problema do Paraná é a falta de equilíbrio. A gente precisa manter o nível de atuação, mas às vezes o desgaste emocional é tão grande que isso fica difícil”, comentou o técnico tricolor Paulo Campos. E é verdade: quando iniciou a partida, o Paraná jogou de igual para igual, criando oportunidades e dominando o jogo. Faltava o lance definitivo, que só aconteceu uma vez, com Galvão, ainda nos primeiros minutos.

O São Paulo jogava com a fórmula passada por Emerson Leão para o zagueiro Rodrigo. “Simples e bom”, dizia o treinador estreante. Percebendo que o adversário não era tão perigoso, o Tricolor empolgou-se. Os defensores subiam toda hora para o ataque, o meio-campo ficava desguarnecido e abriam-se espaços para os contra-ataques. E não deu outra: justamente Rodrigo, em velocíssimo contragolpe puxado por Jean, fez o primeiro gol paulista.

O Paraná sentiu o baque – e Paulo Campos resolveu agir. “Não podia ficar com o meio-campo com dois volantes”, explicou. Assim, ele tirou Messias e colocou Sinval. Alteração ousada e aplaudida, já que a necessidade exigia tal mudança. Só que o treinador não contava com a incrível ineficácia do centroavante, que poucas vezes pegou na bola. A troca não deu certo.

Pior. O São Paulo, comandado pelo veterano César Sampaio, descobriu que o meio paranista ficou completamente aberto. Danilo foi quem ficou livre, e partiram dele as melhores jogadas dos visitantes no segundo tempo. No início do segundo tempo, ele driblou Beto duas vezes e chutou. A bola explodiu em João Vítor, e enganou Flávio. O Paraná lutava muito, e Paulo Campos seguia trabalhando, sacando Fernando para a entrada de Marcel.

Só que a luta não bastava, e o gol paulista desmontou as esperanças tricolores. Apesar do jogo perdido, o time continuou brigando, e chegou a pressionar, obrigando Rogério Ceni a fazer duas intervenções importantes – para completar, Marcel acertou a trave com um forte chute. Mas foi pouco. Foi mais uma derrota paranista, que segura o time na zona de rebaixamento e que teve aquele final conhecido: lamentações, protestos, reclamações e o temor crescente da segunda divisão.

CAMPEONATO BRASILEIRO
Súmula
Local: Pinheirão
Árbitro: Márcio Rezende de Freitas (FIFA-SC)
Assistentes: Vayran da Silva Rosa (SC) e Kléber Lúcio Gil (SC)
Gols: Rodrigo 12 do 1º e Danilo 8 do 2º
Cartões amarelos: Etto, Beto (PR); César Sampaio, Diego Tardelli (SP)
Renda: R$ 34.515,00
Público: 3.806 (3.390 pagantes)

PARANÁ CLUBE 0X2 SÃO PAULO

Paraná
Flávio; Etto, João Paulo, João Vítor e Edinho (Vicente); Messias (Sinval), Beto, Cristian e Fernando (Marcel); Maranhão e Galvão. Técnico: Paulo Campos

São Paulo
Rogério Ceni; Fabão, Rodrigo e Lugano; Gabriel, Alê, César Sampaio, Danilo (Renan) e Fábio Santos; Jean (Souza) e Diego Tardelli (Vélber). Técnico: Emerson Leão