Rio – O presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Luiz Zveiter, reagiu com ironia e mostrou tranqüilidade com a decisão de cinco clubes de tentarem convencer o tribunal a voltar atrás na anulação de 11 partidas do Campeonato Brasileiro. ?Foram mesmo quantos clubes que assinaram o documento? Três? Cinco? Tudo bem, vou analisar o que eles têm a apresentar?, afirmou.

Depois, Zveiter criticou a posição do presidente do Internacional, Fernando Carvalho, que disse não haver ?prova cabal de fraude? para a anulação dos jogos. ?Ele está sendo mal assessorado. É só ler o Artigo 275 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD)?, disse o presidente do STJD. No texto citado, o procedimento ?atentatório à dignidade do desporto?, com o fim de alterar resultado de competição, determina a anulação de partidas.

?Só há um jeito de a decisão ser revista. O Edílson Pereira de Carvalho (árbitro que confessou a manipulação de resultados) provar que não fez o que fez. Isso me parece impossível?, avisou Zveiter. Para Zveiter, se surgisse outro ?elemento? com dados a respeito do ?esquema? de Edílson, como um caderno de contabilidade em que houvesse registro de entrada e saída de dinheiro que confirmassem a atuação da máfia do apito, aí sim poderia haver a possibilidade de se ?individualizar a contaminação dos jogos?. ?Como isso não existe, todos as partidas estão comprometidas?, justificou.

O presidente do STJD continua convicto de que nenhum clube ingressará na Justiça comum para contestar as anulações. ?Os clubes que estão se movendo fazem isso para dar uma justificativa à torcida, ao público interno?, disse Zveiter.

Protesto

O advogado Luis Eduardo Salles Nobre, conhecido no Rio por defender ex-campeões do mundo em ações contra a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), por uso indevido de imagem, ofereceu ontem ao Conselho Nacional de Justiça uma reclamação disciplinar contra Luiz Zveiter, que é desembargador e, por isso, segundo Nobre, não poderia acumular outra função, como a de presidente do STJD.

Zveiter ficou irritado com a atitude do advogado. ?Ele age como abutre, que, ao perceber a existência de algo podre, no caso o escândalo da arbitragem, fica procurando carniça para ter seus 30 segundos de fama?, disse o presidente do STJD.

Só 5 clubes esperneiam contra anulação

São Paulo – A rebelião de Inter, Cruzeiro, Santos, Ponte Preta e Figueirense contra a decisão de Luiz Zveiter de mandar refazer as 11 partidas apitadas por Edílson Pereira de Carvalho (réu confesso da máfia que manipulava resultados do torneio) no Campeonato Brasileiro tem tudo para ser massacrada no Rio. O encontro de ontem, em São Paulo, que durou quatro horas, foi esvaziado. Não contou sequer com a presença do presidente do Clube dos 13, Fábio Koff.

O São Paulo mandou representante, mas votou contra. O Botafogo alardeou estar com os dissidentes, não compareceu e depois informou que vai deixar tudo nas mãos de Zveiter. Os outros membros da entidade nem sequer deram as caras na reunião. A chance de a rebelião fazer água é enorme. Mas ela está deflagrada.

Os cinco ?Mosqueteiros? do Brasileirão optaram pelo pedido de cassação da decisão de Zveiter. O recurso será entregue hoje no STJD. O caso será levado a uma das Comissões Disciplinares da casa. Não há qualquer possibilidade de os clubes recorrerem à Justiça Comum.

?Somos dissidentes, mas legalistas. Não vamos procurar a Justiça comum?, garantiu o presidente do Inter, Fernando Carvalho.

Parece uma luta inglória, uma vez que foi o próprio Zveiter quem optou pela decisão de se jogar as partidas novamente. Para tentar algum sucesso na empreitada será pedida a exclusão de Zveiter de participar na nova decisão. ?Como ele é pessoa diretamente ligada à liminar, estamos protegidos por lei que ele não participe da nova decisão?, comentou o diretor-jurídico do Inter, Daniel Cravo Souza.

O argumento dos representantes dos cinco clubes é o mesmo: as partidas precisam ser analisadas individualmente. ?Fomos o primeiro a aprovar a decisão de criação de uma comissão de notáveis para analisar os jogos apitados pelo Edílson. Mas nos surpreendemos quando o senhor Zveiter, depois de alguns dias, mudou de idéia e decidiu sozinho pela anulação de todas as partidas?, comentou o presidente do Cruzeiro, Alvimar Perrella.

O Cruzeiro teve dois confrontos anulados, contra Botafogo e Paysandu – ganhou os dois. O Santos também se acha injustiçado pela decisão de Zveiter, sobretudo porque as conversas grampeadas pela Polícia Federal mostram que Edílson Pereira de Carvalho tentou ajudar o Corinthians na vitória santista por 4 a 2.

Os ?rebeldes? reclamam ainda que Zveiter tem impedido os representantes dos clubes de ter acesso aos autos no STJD.