O economista e ex-ministro Roberto Campos dizia que estatísticas eram como biquínis: mostravam tudo  menos o essencial. Ainda que de forma inconsciente, a CBF conseguiu demonstrar na prática que o economista estava coberto de razão. A entidade concebeu uma tabela de jogos para o Campeonato Brasileiro de 2002 na qual se revela quase tudo, menos a situação real dos clubes.

Por conta de acomodações de última hora – para atender a interesses de um ou de outro clube – a tabela está cheia de distorções.

Algumas equipes disputaram 18 jogos. Outras, no entanto, já entraram em campo até 21 vezes. O resultado disso é um desastre, que produziu novas anomalias: existe a classificação oficial da CBF – que leva em conta apenas o número de pontos ganhos –  e a classificação real, que avalia o índice de aproveitamento dos times, privilegiando o critério de pontos perdidos. A conseqüência é curiosa: as classificações apresentam resultados completamente distintos.

Para o classificação oficial, o líder é o São Paulo. Já para a chamada ?classificação real?, o Corinthians é quem está na ponta. Para a CBF, o Tricolor tem 37 pontos, contra 35 do Corinthians. Está, portanto, na frente. Mas pode não ser assim. O Alvinegro paulista perdeu apenas 22 dos 57 pontos que disputou  enquanto que o São Paulo perdeu 23 em 60 pontos disputados. Hoje o Corinthians seria o primeiro e o São Paulo o segundo.

O São Caetano – que hoje ocupa a segunda colocação estaria, na verdade, em quarto lugar, onde hoje se encontra o Juventude. O Santos é quinto colocado na classificação oficial, mas na ?real? cairia para oitavo.  Para o torcedor palmeirense   um consolo: o time, que hoje aparece na lanterna, terminaria o campeonato na 24ª colocação.

Esses problemas são decorrência direta de dois  fatores. Por estar distante dos chamados ?grandes centros?, o Paysandu recebeu tratamento diferenciado. Para não ter de fazer grandes deslocamentos (e obrigar outras equipes a fazer o mesmo), o time paraense faz uma série de jogos em casa e outra série fora. Por conta disso, até a rodada deste meio de semana, estava entre as equipes que menos haviam jogado.

Outro problema foi por pura falta de organização. A CBF decidiu mudar a data de uma partida entre Flamengo x Fluminense apenas porque um grupo de executivos ligados ao setor petrolífero fazia uma convenção no Rio e gostaria muito de ver a partida. Os ?engravatados? pagaram US$ 200 mil e anteciparam o jogo para a data da convenção.