Ter o título de treinador mais longevo do futebol brasileiro, com quase seis anos à frente do Londrina, gera um certo incômodo ao técnico Claudio Tencati, 43 anos. Não em função do ambiente de trabalho, mas pelo fato desta estabilidade ser manchete de jornal. “É triste perceber que ficar muito tempo no cargo seja notícia. Sinto-me um privilegiado”, alega. Não à toa, por reconhecer que a estabilidade na profissão é tão rara, ele é um dos principais entusiastas da Lei Caio Júnior, que tramita na Câmara dos Deputados e prevê a profissionalização da carreira, exigindo que os clubes concedam carteira assinada e os direitos dos trabalhadores ao técnicos.

Articulado, Claudio Tencati não se deixa abater pela acomodação. “Não dá pra deixar se levar pela rotina”. O treinador chegou ao comando técnico do Furacão no dia 21 de abril de 2011, já liderou o time em 210 jogos, acumulando 103 vitórias, 58 empares e 49 derrotas e tem como a maior conquista a ascensão do time à Segundona. Vale lembrar que, quando ele chegou, o time amargava a Série D. Na luta constante para fugir do rotineiro, ele diz que tem que tomar cuidado para não cair em vícios de trabalho. “Tem que evitar o desgaste natural do dia a dia. Mas, por outro lado, é muito bom também chegar ao ambiente de produção e conhecer todo mundo. Temos continuidade. A espinha do nosso time permanece, nunca começamos um ano do zero”, complementa o técnico.

Trajetória

O caminho do treinador no Tubarão começou nas categorias de base do Tubarão em 2011, mas não demorou para ser convidado pelo gestor Sergio Malucelli a assumir a equipe profissional no desafio para voltar à Primeira Divisão do Paranaense. Missão dada, missão cumprida! E foi assim que Tencati ganhou a confiança no clube, que só ficou estremecida em um momento. “Na reta final da primeira fase do Paranaense de 2014, perdemos para o J.Malucelli e confesso que o meu cargo balançou. O Sérgio (Malucelli) me chamou e disse que era a hora de dar uma resposta, que apostava ainda no meu trabalho. Foi um voto de confiança”, diz. Naquele ano, a volta por cima resultou no título de Campeão Paranaense, que o o LEC não conquistava há 22 anos. “É o meu principal momento aqui no clube até então, mas 2017 vai ser ainda melhor”, aposta. O clube disputa quatro competições na temporada: Campeonato Paranaense, Primeira Liga, Copa do Brasil e Série B. “No Paranaense, temos obrigação de, no mínimo, ficarmos entre os quatro. Somos hoje a terceira força do estado”, defende.

Natural de Cianorte, Tencati tem um jeitão tranquilo e sincero, marcado ainda por um afinco extremo com as metas profissionais. “Ele é tranquilo e compromissado. E os resultados mostram como foi uma escolha certa mantê-lo no comando técnico”, diz o presidente do clube, Cláudio Canuto. A sanha por bons resultados em campo fez com que o técnico fosse internado por causa de um princípio de estresse no ano passado. “A relação com o gestor é boa, mas, naturalmente, temos desgastes de vez em quando. Tem cobrança, normal”.

Hoje, aos 43 anos e reunindo mais experiência e confiança, Tencati é otimista e sonha em alcançar novas metas no comando do Tubarão. “A pressão é boa. É sinal de que os resultados estão vindo. E estou mais maduro em relação ao Tencati de 2011. Dá pra sonhar em estar na Série A em 2018”, acredita. Antes, porém, o Londrina tem pela frente a Primeira Liga e o Campeonato Paranaense. Hoje, às 16h30, o time segue na preparação para a temporada e tem um jogo-treino contra o Linense, no Estádio do Café.  https://tribunapr.uol.com.br/esportes/tubarao-reforcado-para-abocanhar-o-campeonato-paranaense/