O lateral-esquerdo Thiaguinho, acusado pelo presidente do Rio Branco, Leandro Ribeiro, como  intermediador de uma possível manipulação de resultados no segundo turno do Campeonato Paranaense, quebrou o silêncio.

Em entrevista exclusiva à Tribuna do Paraná, o jogador desabafou e afirmou que a diretoria do Leão da Estradinha está agindo de má fé ao acusá-lo de tentar “vender” a derrota para o Londrina, pela última rodada da Taça Caio Júnior do Estadual.

O jogador de 27 anos, que foi eleito pela Tribuna o melhor lateral-esquerdo do primeiro turno do Estadual, conviveu com algumas lesões e atuou pouco na Taça Caio Júnior. Thiaguinho negou veementemente as acusações da diretoria do Rio Branco e explicou o caso.

“Machuquei ainda na semifinal do primeiro turno e foi muito ruim para mim. Queria fazer com que o time chegasse às finais. Quando eu estava em campo, conseguimos bons resultados. Não tinha como eu me vender. Nunca faria isso”, desabafou.

Para o atleta, a diretoria está agindo de má fé para tentar amenizar as críticas ao comando. “Estão usando print do que eu falei no grupo para me prejudicar, para que eu não possa mais jogar e também para eles não me pagarem o que me devem, que são quase dois meses de salários”.

Ele afirma que nem mesmo a passagem de volta pra casa foi paga pela diretoria. “O clube está todo errado e quer reverter a situação para que os jogadores estejam errados”, disparou.

Proposta indecente

Segundo Thiaguinho, um bicheiro (responsável por sites de apostas) o procurou fazendo a proposta para “comprar” quatro jogadores. Sendo três atletas de linha e o goleiro. Cada um iria ganhar R$ 5 mil. De imediato, o jogador falou que não, mas apenas levou a proposta para os outros atletas do grupo.

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Tão logo o presidente Leandro Ribeiro fez a denúncia acusando o grupo de facilitar resultados para justificar a péssima campanha do clube no segundo turno do Estadual, outros jogadores, como o atacante Rodrigo Jesus, saíram em defesa de Thiaguinho.

“Esse bicheiro chegou em mim e perguntou se abriria o jogo, falei que não. Foi apenas o jogo contra o Londrina. Só teve essa conversa. Passei para o Rodrigo Jesus e o Flaysmar e eles disseram não também”.

Ele garante que a conversa com o “homem da mala” acabou ali.  ” No dia seguinte fiquei sabendo que a diretoria ficou a parte da situação e fui me justificar para não ficar queimado no clube. Nunca faria isso. Minha torcida era para o Rio Branco ficar na primeira divisão, pois meu nome estava em jogo também”, acrescentou o jogador.

Perrengue

Thiaguinho também escancarou as dificuldades vividas pelos jogadores no Rio Branco. O jogador, que estava no Asa-AL e foi trazido pelo então técnico Maurílio Silva, criticou a maneira amadora que o clube está sendo conduzido pela atual diretoria liderada pelo presidente Leandro Ribeiro.

“O Rio Branco é um clube totalmente amador. Nos ofereceram bicho para chegar à final. Valor de R$ 25 mil e depois nos tiraram. Voltaram atrás”, reclamou Thiaguinho, que prosseguiu falando da estrutura do Leão da Estradinha.

O elenco, segundo ele, não tinha sequer água mineral pra beber e tinha de se virar bebendo água da torneira. A estrutura médica também deixava a desejar. “Machuquei contra o Atlético, na Arena e sequer fizeram ressonância. O tratamento eu arrumei com um amigo fisioterapeuta. Tratei, voltei e machuquei de novo e não fizeram a ressonância. Disseram que ia fazer, mas nunca fizeram.

Thiaguinho também ressaltou a falta de organização do clube. “Um jogador que veio de Alagoas, ficou três meses e nem foi registrado. Sem contar que o clube recebe dinheiro de empresário para deixar jogador lá. Falo porque eu sei e vivi isso lá dentro”, concluiu Thiaguinho.

Reflexos

Diante de todo esse imbróglio, o caso será investigado pela polícia. O Ministério Público Federal abriu processo para apurar os fatos. O caso também deverá ser levado à Federação Paranaense de Futebol e ao Tribunal de Justiça Desportiva (TJD-PR). Tanto Rio Branco, quanto o jogador correm risco de penas pesadas caso sejam constatadas irregularidades.

No último jogo do Campeonato Paranaense, o Rio Branco quase não entrou em campo. Os jogadores ameaçaram fazer uma greve em protesto por conta de salários atrasados. Houve, no entanto, um acordo com a diretoria do time do Litoral e os jogadores viajaram às 19h de terça-feira, véspera da partida contra o Londrina, no Estádio do Café.

O Rio Branco dependia de si para não ser rebaixado, mas acabou perdendo por 4×1 para o Londrina. No entanto, o União acabou perdendo para o já rebaixado Prudentópolis por 3×1 e, assim, o Leão da Estradinha conseguiu se manter na primeira divisão do Campeonato Paranaense.