Em apenas três dias de treino, Tite já deu sua cara à seleção brasileira. Claro que é impossível em tão pouco tempo colocar todas as ideias em prática, mas o que se viu em campo ontem, diante do Equador, tem dedo do novo treinador. E isso não é nenhuma boa vontade com Tite ou uma má vontade com Dunga.

É bem verdade que o técnico, para este começo de trabalho, apostou em nomes que já tinham trabalhado com ele e que teriam mais facilidade de entender a metodologia, como Paulinho e Renato Augusto, que exerceram a função de segundo volante/meia, a principal novidade no esquema tático, montado no 4-1-4-1, tradicional nos tempos de Corinthians, onde os dois atuaram.

Desta forma, Casemiro era quem protegia a defesa, e fez muito bem isso, com vários desarmes, facilitando a vida dos zagueiros e também dos companheiros no meio-campo, que tinha a obrigação de marcar, mas com a bola apareciam por todas as partes do campo.

Pelas laterais, na esquerda Marcel tinha toda a liberdade para atacar. Tanto que iniciou a jogada do pênalti sofrido por Gabriel Jesus, e cruzou para o atacante marcar o segundo. Já na direita, Daniel Alves ficou mais defensivo no primeiro tempo, mas se soltou na etapa final, principalmente com a entrada de Philippe Coutinho no lugar de Willian.

Aliás, foi após Coutinho entrar que a seleção melhorou e ganhou mais criação de jogadas, municiando Neymar e Gabriel Jesus, que faziam a festa entre os defensores equatorianos. Os dois a todo momento se revezavam, com um caindo pelo lado esquerdo, onde Neymar construiu as jogadas do segundo gol, quando tocou para Marcelo, e do terceiro, cruzando para Gabriel Jesus, ou como homem de referência, onde o camisa 9 se encaixou perfeitamente, embora tenha errado muito na etapa inicial.

Antes da partida, Tite já havia dito que estava escalando cada jogador naquela função que estavam acostumados a atuar em seus clubes. Uma maneira de facilitar o entrosamento. Deu certo. Sem dar espaços para o adversário, os atletas trabalhavam as jogadas com toques rápidos e se aproximando do companheiro para dar opção de passe, optando por lançamentos apenas próximos da área. Justamente aquilo que o técnico fez tão bem no Corinthians: posse de bola para não ser sufocado e na hora certa atacar. Para um primeiro jogo após três dias de treino, o resultado foi melhor que o esperado.