O boicote de Indianápolis, a dobradinha mais do que previsível e, agora, um concorrente direto nocauteado por uma quebra de motor. Parece que o destino conspira para ajudar a Ferrari e Michael Schumacher a entrarem definitivamente na luta pelo título mundial de Fórmula 1 de 2005, depois de um começo lamentável de temporada. O alemão saiu dos EUA apenas três pontos atrás de Kimi Raikkonen na tabela. Fernando Alonso ainda está distante, 25 na frente. Mas pelo menos do finlandês Schumacher saiu na frente ontem em Magny-Cours.

Kimi quebrou seu motor no segundo treino livre para o GP da França, décima etapa do Mundial. Isso significa que perderá dez posições no grid para a corrida de domingo. "As coisas ficaram mais difíceis", falou. De fato, largando atrás, o piloto da McLaren tem chances pequenas de chegar na frente de Schumacher, seu adversário mais direto.

A Ferrari se animou com os primeiros treinos em Magny-Cours. Michael foi o terceiro mais rápido na última sessão e, como em raras ocasiões fez neste ano, colocou-se como candidato sério à vitória. Tendo em conta que ele já venceu sete vezes na pista francesa, não se deve duvidar do atual campeão do mundo.

"A equipe tem trabalhado muito nos últimos

meses e acho que os resultados começam a aparecer agora", disse.

Mesmo no Mundial de Construtores, que o time de Maranello já vinha descartando, as coisas viraram com os 18 pontos de Indianápolis. Como McLaren, Renault, Williams e Toyota não correram, a Ferrari subiu de quinto para terceiro na classificação. Tem 63 pontos, empatada com a McLaren, e está apenas 13 pontos atrás da líder Renault. Na melhor das hipóteses para os italianos, dá até para sair da França no primeiro lugar.

"Se a gente conseguir largar nas duas primeiras filas, vitória é algo muito concreto", avaliou Rubens Barrichello, sétimo ontem. Mas a McLaren e a Renault esperam atrapalhar os planos vermelhos. Ambas tiveram bom desempenho ontem, com Pedro de la Rosa, piloto de testes do time inglês, fazendo o melhor tempo do dia, seguido pelo titular Juan Pablo Montoya. A Renault veio na cola de Schumacher, com Alonso em quarto e Giancarlo Fisichella em quinto.

O grid sai hoje da sessão que começa às 8h de Brasília. Ontem fez calor em Magny-Cours, mas menos do que se esperava para o alto verão europeu. A previsão é de que o tempo permaneça seco no início da tarde. Mas não se descarta a possibilidade de chuva, que tem vindo em pancadas rápidas nos últimos dias. Com água, a Ferrari tem chances ainda maiores. E um Mundial que parecia perdido começa a flertar com quem dele toma conta há seis anos.