Equipe Memorial Santos.

Pomerode – Só um desastre pode tirar o título do ciclista da equipe Memorial-Santos, Antônio Nascimento, o Tonho, na 17.ª Volta Ciclística Internacional de Santa Catarina, a mais importante competição de longa duração do ciclismo nacional, que termina amanhã, em Joinville. Ontem, em Pomerode, o competidor de 26 anos de idade deu o passo decisivo para a conquista do mais importante título na carreira, ao abrir 1 minuto e 1 segundo sobre o seu adversário direto, o gaúcho Maurício Morandi, da Vince/Blumenau, na prova de contra -relógio individual.

Ele completou os 25 km em 32 minutos e 23 segundos 594 milésimos contra 33min 24s 907 do vice-líder. Agora, a diferença entre os dois é de 1 minuto e 16 segundos e como as duas etapas restantes são planas, dificilmente os resultados serão alterados. “É muita felicidade. Me dediquei muito a este título. Por um mês só pensei nisso. Era o meu grande sonho”, festejou Tonho, que impressionou a todos por sua força nas pedaladas.

Tanto que além de ser líder geral, está na frente no prêmio de montanha e de metas volantes (chegadas intermediárias), mostrando ser um ciclista completo, com 100% de aproveitamento, mesmo medindo apenas 1,64 metro de altura. No ano passado, Tonho chegou na prova de contra-relógio também como líder, mas acabou sendo superado. Desta vez, se preparou muito bem e só fez o tempo inferior ao do campeão brasileiro da modalidade, Luís Amorim, da equipe Pedal Bike Shop/São José dos Campos, que completou o percurso em 31min 58s 663 (esta foi a 3.ª vitória do time paulista em sete provas disputadas).

O outro grande favorito na disputa, o catarinense da equipe Memorial-Santos, Márcio May, tricampeão da Volta, competiu debilitado, com febre, por causa de gripe, e chegou em 3.º lugar, com 32min 40s 413. Para o virtual campeão a noite anterior foi muito difícil, em função da ansiedade. “Tive insônia. Era como se a Volta começasse novamente”, disse Tonho, que também sofreu durante a disputa. “Durante o percurso, eu ouvia os meus companheiros de equipe avisar 15 segundos, mas não sabia se eu tinha vantagem ou se era o Morandi, daí apertava ainda mais. Fiz muita força, tive dores nas pernas, falta de ar”, comentou.

Logo depois de assegurar a vantagem, ele dedicou o resultado aos companheiros de equipe e também ao amigo José Cláudio dos Santos, o Facex. “Treinamos juntos. Ele é mais que um amigo, é um irmão. Também tenho de agradecer muito à minha equipe. Sem esse grupo, eu não estaria aqui. Todos trabalharam muito para que chegássemos ao topo. O May, o Hernandes (Quadri Júnior), o Morcegão (Rodrigo Brito), o Grandão (Robson Ribeiro) e até o Mindu (Aderson Oliveira), que deu tanto fôlego, que até acabou eliminado. A união é uma marca da nossa equipe”, acrescentou.

Natural de Brejo Santo, próximo a Juazeiro do Norte, no Ceará, mudou para Guarulhos, em São Paulo, ainda com 6 anos de idade. Começou a pedalar em 1.º de maio de 1994 e na Volta de Santa Catarina participou das quatro últimas edições. Em 2000, ficou entre os 50 melhores. No ano seguinte, já mostrou grande evolução, ficando em 7.º lugar. No ano passado foi a revelação, com o vice-campeonato e o prêmio de montanha.

Tonho Love

Dessa vez, já atuando na equipe Memorial, número 1 do ranking brasileiro nos últimos três anos, contou com todo o apoio para poder disputar a prova com tranquilidade. Já na etapa da Serra do Rio do Rastro, a mais dura, confirmou o favoritismo, vencendo a temida subida. Com a conquista da fama, ele ganhou um apelido, “Tonho Love”, por ter ares de galã e também por sua simpatia e estar sempre sorridente.

A apresentação perfeita de Tonho foi elogiada até pelo comissário internacional da União Ciclística Internacional (UCI), o colombiano Cesar Sanches, que acompanha a disputa, por ser válida para o ranking mundial. “Ele mostrou uma evolução acima do normal. Sobe muito bem. Na contra-relógio parecia uma bala. É uma progressão excelente”, ressaltou Sanches.

Além da diferença de tempo de Tonho, a Memorial-Santos comemorou a liderança do ranking por equipes, superando a Vince/Blumenau por 11 segundos. A Volta terá mais duas etapas, totalizando quase 760 km. Hoje, os ciclistas pedalam de Pomerode até Joinville, num trajeto plano de 77,6 km. Amanhã será realizada uma prova de circuito, também em Joinville, com 51,3 km.

“Agora é só administrar. Não vamos arriscar nada. Como falei antes, o importante não é ganhar etapas, mas manter a vantagem”, disse o técnico da Memorial, Cláudio Diegues. Dos 126 atletas que iniciaram a Volta no sábado passado em Laguna, 84 continuam na disputa. Até agora, foram percorridos 630,4 km. Os resultados completos podem ser acompanhados no site da Federação Catarinense de Ciclismo, organizadora do evento: www.ciclismosc.com.br. A 17.ª Volta Ciclística de Santa Catarina tem o patrocínio da Vega do Sul, governo do Estado de Santa Catarina e Golden Bingo.

RESULTADO DA PROVA DE CONTRA-RELÓGIO INDIVIDUAL 25 KM

1 Luís Amorim (Pedal Bike Shop/ São José dos Campos) 31min 58s 663

2 Antônio Nascimento (Memorial-Santos) 32min 23s 594

3 Márcio May (Memorial-Santos) 32min 40s 413

4 Reginaldo Grellmann (Joinville/ Joel Bikes) 32min 52s 547

5 Dylan Sebel (Espoirs de Laval/ Canadá) 33min 07s 094

CLASSIFICAÇÃO GERAL INDIVIDUAL APÓS 7 DISPUTAS (630,4 KM)

1 Antônio Nascimento (Memorial-Santos) 15h 07min 04s

2 Maurício Morandi (Vince/ Blumenau) 15h 08min 56s a 1minuto e 16 segundos

3 Márcio May (Memorial-Santos) 15h 08min 58s a 1 minuto e 54 segundos

4 Alex Arseno (Dataro Computadores) 15h 09min 50s a 2 minutos e 46 segundos

5 José Aparecido dos Santos (Caloi/ Extra/ Suzano) 15h 10min 24s a 3 minutos e 20 segundos

Melhor estrangeiro Joachim Vollmann (Denzel Juvina/ Áustria) em 8.º lugar 15h 14min 58s a 7 minutos e 54 segundos.