Ulsan (AE) – Duelo de gigantes. Assim pode ser chamado o jogo entre Alemanha e Estados Unidos, hoje, às 8h30 (de Brasília), em Ulsan, na Coréia, pelas quartas-de-final da Copa do Mundo. A partida vai reunir as equipes que fazem do futebol-força a principal característica.

O técnico dos Estados Unidos, Bruce Arena, ressalta que seu time possui uma excelente condição física, mas elogia os atletas adversários. “A Alemanha é o time mais alto do Mundial, com 9, 10 jogadores que medem mais de 1,83. É uma equipe com média de altura 1,82 a 1,86. Isso é muito para o futebol. Claro que a Alemanha é a favorita, até mesmo pelo retrospecto em Copas, mas os EUA tem no preparo físico, uma grande arma”, analisa o treinador.

Contra um time que tem esse perfil, Arena explica que é preciso disputar as jogadas com muita garra, marcar em cima, e impedir cruzamentos sobre a área. Os Estados Unidos quer tirar lição da derrota para o adversário por 4 a 2, num amistoso realizado em março na Alemanha. Nesse jogo, o técnico americano percebeu que a Alemanha sabe tirar da vantagem do físico privilegiado que cada atleta possui.

“Eles fazem cruzamentos seguidos na frente do gol”, comenta Arena. O treinador ressalta que o tempo de descanso da equipe entre o jogo das quartas-de-final contra o México até a partida desta sexta foi ideal. “Deu para o time se preparar para o jogo, que deve exigir muito dos atletas”, prevê.

Os jogadores dos Estados Unidos estão otimistas. Eles acreditam na classificação paras as semifinais. Os atletas ressaltam que o time entrou para fazer uma campanha melhor do que a de a do último mundial, e agora está na expectativa de chegar à final. “O céu é o limite”, diz Clint Mathis. “Nosso maior incentivo é olhar para frente e ver que estamos a três jogos do título”, avalia o atleta dos Estados Unidos.

O meia do time norte-americano Donovan aceita a condição de os Estados Unidos serem umas das surpresas da Copa do Mundo. Mas o jogador explica que o Mundial está realmente um novo conceito do futebol. “Quatro times que não estavam cotados chegaram às oitavas-de-final”, diz o jogador, que não quis citar os nomes da seleção, por uma questão ética. É a prova de o futebol não conta mais o que ficou para trás. Vale o momento, que está melhor preparado para disputar a partida”, diz Donovan. “Por isso, temos de acreditar em passar para as semifinais. Estamos em um bom momento.”

A Alemanha quer manter a tradição. Campeões em 1954, 74 e 90, os alemães disputaram ainda as finais de 66, 82 e 86. O técnico Rudi Voeller destaca a campanha que o time está fazendo na Copa 2002. “Temos um esquema de jogo que explora bem a capacidade dos nossos atletas. Sabemos aliar a força à técnica”, garante o treinador, que não quer para seu time a condição de favorito esta noite. “Isso não existe em uma Copa do Mundo. A Alemanha vai mostrar o empenho dos últimos jogos, e estamos preparados para jogar os 90 minutos e a prorrogação se for preciso”, garante o treinador, que terá a volta de Ramelow, Hamann e Ziege, que estavam suspensos.

Klose é perigo na área

Dinoel Marcos de Abreu

Ulsan

(AE)- Bola na área é sinal de perigo para o adversário da Alemanha. Lá está o atacante Klose, que já marcou cinco gols na Copa, todos de cabeça. Ele terminou as oitavas-de-final empatado com o brasileiro Ronaldo na artilharia da competição. A classificação da seleção alemã diante dos EUA hoje, vai dar condição para o jogador continuar com a ambição de ser o maior goleador do Mundial.

Nas poucas entrevistas que tem dado na Copa, Klose usa o mesmo argumento da maioria dos artilheiros. Ele diz que marcar faz parte da sua posição. Com 1m82, o atacante do Kaiserslautern tem boa impulsão e ainda conta com o esquema de jogo alemão, voltado para as bolas aéreas, para marcar seus gols.

Por isso mesmo, Klose diz treinar muito as jogadas aéreas. E espera que a tática dê certo mais uma vez, contra os EUA. Afinal, depois de fazer gols em todos os jogos da primeira fase, ele não deixou sua marca contra o Paraguai.

A prova de que a arma de Klose é justamente a bola aérea está na estatística da Fifa dos principais artilheiros da Copa. No ranking dos chutes a gol, o atacante alemão aparece com apenas 12 tentativas em quatro jogos, na modesta 11″ colocação.