“Esses meses me valeram alguns cabelos brancos.” Hoje, livre do rebaixamento, o técnico Paulo Comelli já se permite sorrir com maior tranqüilidade. Uma reação merecida para quem trabalhou sob extrema pressão ao longo dos mais de cem dias em que precisou driblar o fantasma do rebaixamento.

Agora, a pressão é outra: negociar a renovação de seu contrato para 2009. Unanimidade na atual diretoria, Comelli ainda não conseguiu equalizar questões financeiras e o impasse promete mais alguns capítulos.

“Estamos em conversações. Vamos ver no que vai dar”, disse Comelli, acreditando que o trabalho desenvolvido nos últimos meses vale mais do que qualquer palavra. Paulo Comelli tirou o Paraná Clube da berlinda e conseguiu números expressivos. Ainda mais para um time que foi reformulado às pressas, “aos trambolhões”.

O técnico esteve à frente do clube por 21 rodadas, até aqui. Em nove delas, na zona do rebaixamento, com direito à vice-lanterna da competição. Nas outras doze rodadas, em muitos momentos o clube esteve à beira do abismo.

“Na verdade, não tivemos um momento de real descanso. Só foi possível relaxar após a goleada sobre o CRB”, disse Comelli. Hoje em 11.º lugar – a melhor colocação em toda a competição – o Tricolor espera fechar o ano com um resultado positivo contra o Santo André, nesta sexta-feira.

Antes disso, o técnico quer ver sua situação definida com a diretoria. Ontem, enquanto os jogadores trabalhavam sob a supervisão do preparador físico Marcos Walczak, Paulo Comelli ficou reunido com o gerente de futebol Beto Amorim, no centro do gramado.

A conversa durou mais de uma hora e depois se estendeu por mais alguns minutos com a chegada do diretor de futebol Paulo Welter. “O Comelli nos passou novos valores e isso será repassado à diretoria. Como a questão é financeira, quem define é o pessoal lá de cima”, disse Beto Amorim.

Evasivo, preferiu não entrar em detalhes sobre a diferença entre aquilo que o clube oferece e o que o treinador pretende receber. “É uma questão relativa. Não posso entrar em detalhes e quem vai dar a resposta é o presidente”, justificou.

Enquanto o quadro não se define, o Paraná segue em compasso de espera. Tanto no que diz respeito à possíveis negociações de atletas quanto ao planejamento para 2009.

“Temos muitos detalhes bem adiantados. Mas, tudo depende dessa confirmação do comando técnico”, explicou Beto. Nos corredores da Vila Capanema, o comentário é que hoje a questão será definida. Como até o momento a diretoria alimenta o desejo de seguir com Comelli, não se fala em um “plano B”.