Se o time não foi empolgante, o atacante tricolor deu um verdadeiro show ontem, no Mangueirão, contra o Paysandu.

Um time em grande fase pode se dar ao luxo de vencer um jogo difícil mesmo sem empolgar. O Paraná Clube errou muito na defesa e passou sufoco, mas faturou a segunda partida consecutiva fora de casa: 4 x 3 sobre o Paysandu, ontem, no Mangueirão. O brilho que faltou à equipe iluminou em cheio o atacante Borges, que marcou três gols e construiu a jogada do quarto – agora, com dez tentos assinalados, ele é um dos líderes da artilharia do Brasileirão. O resultado mantém o Tricolor em quinto lugar, a apenas cinco pontos da líder Ponte Preta e com chances reais de entrar na zona de classificação à Copa Libertadores na próxima rodada.

Aquele Paraná brigador e eficiente que matou o Internacional na quinta-feira, em Porto Alegre, parecia desaparecido no início do jogo. Marcando sem a mesma força e estranhamente sonolento, o Tricolor deixou o Papão tomar conta do meio-de-campo e criar quatro chances de abrir o placar nos primeiros 15 minutos.

Mas o Paraná tinha o camisa 9, que iria decidir o jogo. Borges aproveitou bobeada da frágil defesa paraense e criou o lance concluído por André Dias: Paraná 1 x 0.

O gol abateu o time do ex-paranista Gílson Kleina. O Paysandu diminuiu a pressão à frente e abriu enormes espaços para o Tricolor explorar os contragolpes. Desta forma, Vicente desperdiçou boa chance, mas Borges fez diferente: ganhou da zaga e do goleiro para ampliar o placar, no finalzinho da primeira etapa.

Se o Paraná fizesse 3 a 0 quando André Dias e Thiago Neves erraram o gol feito, no começo do segundo tempo, a vitória seria mais fácil. Mas a zaga tricolor – ainda a menos vazada no Brasileiro – queria dar emoção à partida. Primeiro, o zagueiro João Carlos diminuiu de cabeça, dando início a um bombardeio aéreo sobre a meta de Flávio.

Entre as trapalhadas que a defesa tricolor passou a exibir, Borges resolvia a parada. Aos 16 minutos, o atacante limpou um zagueiro e chutou bonito, fazendo 3 a 1. Aos 24, o zagueiro Alex Pinho diminuiu para 3 a 2, em outra cobrança de escanteio da direita. E aos 30, o artilheiro paranista voltou a dar folga no placar, convertendo pênalti cometido em jogada iniciada por ele próprio.

O inacreditável aconteceu: um minuto depois, Robgol ganhou outra pelo alto e o Paraná tomou o terceiro gol de cabeça. A partir daí, cada bola cruzada na retaguarda tricolor virou um tormento. Flávio falhou, os zagueiros erraram e o Papão quase empatou. Aos trancos e barrancos, o Paraná livrou-se do perigo, respirou e pôde curtir seu primeiro triunfo sobre o Paysandu em Belém.

Na briga pela artilharia

Borges, que parecia meio em baixa, já havia atuado bem contra Atlético-PR e Internacional. Mas ontem, em Belém, o goleador mostrou todo o futebol que encantou a torcida tricolor no início do Brasileirão. Com os três gols sobre o Paysandu, ele atingiu o topo da artilharia ao lado de Robson, Alex Dias e Fred, e de quebra calou as críticas que recebera em Belém.

?Reclamaram por aqui que não fazia gol, mas nunca tive no Paysandu uma seqüência de jogos como a que tenho no Paraná?, falou o atacante, que defendeu o Papão no Brasileiro de 2004. Depois do desabafo, o jogador comemorou a grande fase individual e do time, vencedor dos últimos três jogos. ?Agradeço a Deus por este momento da minha vida. Aqui não tem valores individuais, só a força coletiva?, discursou.

Nos vestiários, Lori Sandri festejou a vitória tentando entender os erros defensivos do time. ?Temos qualidade no quesito bola alta. Talvez demos chance pelo cansaço da viagem desgastante?, arriscou o técnico, lembrando que o Tricolor saiu na sexta-feira de Porto Alegre e só chegou a Belém na madrugada de sábado. ?Tomamos gols que não estamos acostumados a tomar. Já fizemos jogos melhores, mas a sorte está do nosso lado?, concordou o volante Rafael Muçamba.

Lori não deixou de ressaltar os pontos positivos do time – a qualidade ofensiva e a jornada inspirada de Borges. Mas manteve o discurso de humildade para evitar que a euforia contagie os jogadores. ?O campeonato tem mais quatro meses. O primeiro objetivo ainda é fugir da zona de baixo. Depois, com segurança maior, podemos pensar em outras metas?, falou.

Quarta-feira, contra o Botafogo, no Pinheirão, o Paraná depende só de novo triunfo para entrar na zona de classificação para a Libertadores. Dependendo do resultado do Inter, o Tricolor pode chegar à terceira colocação no Brasileiro.

CAMPEONATO BRASILEIRO
SÚMULA
Gols: André Dias (22-1º), Borges (43-1º, 16-2º e 30-2º), João Carlos (13-2º), Alex Pinho (24-2º) e Robson (31-2º)
Cartões amarelos: Eder Ceccon, Alemão e Alex Pinho (Pay), Flávio e Daniel Marques (Par)
Local: Mangueirão (Belém)
Público: 7.200 pagantes (Total: 10.049)
Renda: R$ 78.200,00
Árbitro: Wilson Luiz Seneme (SP)
Assistentes:
Marinaldo Silvério (SP) e Francisco Rubens Feitosa (SP)

Paysandu 3×4 Paraná

PAYSANDU: Alexandre Fávaro; Marco Aurélio, João Carlos, Alex Pinho e Leandro; Vanderson (Carlos Alberto), Alemão, Donizete Amorim e Rodrigo; Robson e Eder Ceccon (Balão). Técnico: Gilson Kleina

PARANÁ: Flávio; Daniel Marques, Marcos e Aderaldo; Neto, Rafael Muçamba, Beto, Thiago Neves (Flávio Alex) e Vicente (Parral); André Dias (Mário César) e Borges. Técnico: Lori Sandri.