Era a noite de Kelvin. Todo mundo queria ver a revelação do Paraná Clube. E viram o surgimento de um jogador diferenciado. Mas nem ele conseguiu fazer o Tricolor vencer o Bahia.

Jogando na Vila Capanema, a equipe perdeu por 1 x 0, encerrando a série invicta de Roberto Cavalo, que durava desde 2010, e acabando com o plano ousado de voltar para a Série A em 2011.

Torcedores, jornalistas e “olheiros” estavam na Vila Capanema para ver Kelvin, numa expectativa poucas vezes vista na história do Paraná. O jovem de 17 anos, com um gigantesco potencial, era a esperança do presente e do futuro tricolor. Tudo era coadjuvante na noite que prometia ser a da explosão de um novo craque paranista.

Mas o início da partida foi de pressão dos visitantes. Mais encorpado, o Bahia partiu para o ataque, avançando seus alas e com os volantes aparecendo como elementos-surpresa.

Assim, Fábio Bahia e Arílton tiveram as primeiras boas oportunidades do jogo. Logo a 6 minutos, Morais cobrou falta e Jael desviou para o gol. Uma ducha de água fria na empolgação paranista.

Kelvin era muito marcado – resultado da badalação das últimas semanas. Assim, o Paraná tinha dificuldade para sair da “arapuca” de Márcio Araújo. Sem saída pelas laterais, o Tricolor sofria para se aproximar do gol baiano. Em alguns momentos, a tática parecia ser “tocae no garoto”, para ver se o camisa 11 resolvia. Só que era complicado.

Para conseguir o empate, era preciso que Henrique e Murilo jogassem mais, que Wanderson entrasse no jogo. Ainda seria necessário se cuidar, por que a cada avanço paranista, havia a resposta do contra-ataque baiano. Era um jogo difícil. “Infelizmente, o time não está bem, mas vamos acertar no segundo tempo”, afirmou Kelvin.

Roberto Cavalo trabalhou no intervalo. Sacou William e Wanderson e apostou em Ceará e Somália. O Paraná ficou bem mais rápido, e Kelvin passou a ter companhia, principalmente com Ceará.

O Bahia começou a fazer faltas sucessivas, várias delas perto da área. Toda hora os zagueiros tricolores estavam na área, mas nem Murilo, nem Henrique acertavam as cobranças.

Ainda faltava força ofensiva para buscar a igualdade. Somália, apesar da boa vontade, era atabalhoado. Ceará, depois de começar bem, ficou isolado no meio. Apenas Henrique aparecia para criar jogadas. Kelvin, mesmo aterrorizando a defesa baiana, precisava de ajuda.

Assim, Cavalo decidiu colocar Igor de volta, após quase dez meses de afastamento. Não adiantou. A esperada noite do Menino da Vila aconteceu, mas acabou se confundindo com o final do sonho do acesso à Primeira Divisão.