Um time no divã. Restando apenas 50 dias para o fim da temporada, o Paraná Clube tem apenas dez partidas para “virar o jogo” e voltar a ser visto como uma equipe competitiva. Este é o tempo de que dispõe Dado Cavalcanti para reencontrar o bom futebol, que desapareceu no returno da Série B. Voltar a jogar bem é o caminho para superar Sport ou Avaí e reassumir seu posto no G4, à frente dos demais concorrentes que ainda sonham com o acesso. Tarefa complicadíssima diante da surpreendente mutação do time.

A segurança vista ao longo de todo o turno deu lugar à incerteza. O Tricolor passou a errar mais passes, não conseguiu mais se impor nos jogos e, como consequência maior, passou a sofrer gols incríveis, como os quatro na goleada para o frágil América-RN (4 x 1). Integrantes da comissão técnica, do departamento de futebol e até mesmo os atletas demonstram incredulidade com esse momento da equipe, que sofreu três derrotas consecutivas e, após mais de dois meses de serenidade, “acordou” fora da área de acesso à Primeira Divisão.

De bate pronto, porém, Dado Cavalcanti rechaça teorias da conspiração que normalmente envolvem equipes em crise, seja técnica ou administrativa. Não admite se falar em grupo rachado ou soberba nos recentes jogos. Para ele, a mudança de comportamento é fruto de uma oscilação de certos jogadores, acrescido da maratona de jogos. “Não há um fato isolado. A verdade é que agora terei que agir. Se preciso, vamos trocar peças, mas sem perder aquilo que sempre foi o ponto forte do Paraná: a coesão de grupo”, ressaltou.

Dado recordou de outros momentos de instabilidade, onde mesmo com vários desfalques o grupo se superou. É esse poder de reação que ele espera ver em campo no jogo deste sábado, contra o Ceará – mais uma decisão diante de um concorrente direto. “Chegamos até aqui pela força do nosso conjunto. O desempenho atual é muito ruim, compatível com equipes que estão na briga contra o rebaixamento e não lutando pelo acesso”, reconheceu. “Mas podemos retomar aqueles 60% do primeiro turno, pois é disso que precisamos para conseguirmos o nosso objetivo”, frisou.

Na matemática, o Tricolor teria que vencer ao menos seis de seus dez jogos para sonhar com o acesso. “É momento de reflexão para todos. Vou ser obrigado a trocar peças e, quem sabe, encontrar uma solução naquele jogador que está lá no canto, timidamente fazendo o seu trabalho”, ressaltou Dado, evitando citar que modificações seriam essas.