Quando o assunto é Campeonato Brasileiro, o Trio de Ferro não tem muito o que comemorar até o momento. A parada da Série A por conta da Copa do Mundo veio em um momento oportuno para os times paranaenses. Com um aproveitamento que está longe de ser considerado bom, Atlético e Paraná Clube terão um tempo extra para avaliar melhor a “direção do vento”, alinhar “as velas” e tentar reajustar o rumo das equipes na competição para evitar um naufrágio no final do ano. Por outro lado, a Série B continua a todo vapor neste período, mas os 12 dias que o Coritiba está tendo entre o último compromisso o próximo também deve ser fundamental para que o time consiga navegar com mais tranquilidade rumo ao acesso.

O Tricolor começou a temporada já sabendo que sua principal meta seria lutar para ficar fora da zona de rebaixamento. Após dez anos fora da primeira divisão e com o orçamento mais baixo entre os times da elite do futebol nacional, era esperada a dificuldade de pontuar, mas nem o mais pessimista torcedor imaginou que seria tanto assim. A primeira vitória do time veio somente na nona rodada do Brasileirão. Adversários considerados mais fáceis, e que o Paraná Clube esperava bater para somar os pontos necessários, foram osso duro e jogaram um balde de água fria nos ânimos do elenco.

A derrota para o Vasco, e os empates com Atlético e Chapecoense pesaram para que, ao final da 12ª rodada, o Tricolor tivesse apenas dez pontos conquistados. Na tabela de classificação, é o 18º e precisará se reinventar para chegar ao final do campeonato, com, no mínimo, 46 pontos para tentar escapar da degola.

No Furacão a situação é ainda mais crítica. Isso porque, entre os três times da capital, é o Rubro-Negro que tem conseguido os resultados mais expressivos nos últimos anos. Único representante de Estado na Sul-Americana deste ano, por exemplo, e com um elenco mais valioso quando comparado com os rivais, o discurso no Atlético é sempre entrar no Campeonato Brasileiro buscando a ponta.

Campeão paranaense – com a equipe de aspirantes – com uma campanha quase perfeita, o torcedor acreditava que quando o time principal entrasse em campo o show seria ainda maior. Enquanto Tiago Nunes trabalhava no Estadual, Fernando Diniz se concentrava em preparar sua equipe para os campeonatos realmente importantes para o clube. O time estreou no Brasileirão com uma expressiva goleada diante da Chape, por 5×1, mas depois disso, a realidade veio à tona e as fraquezas da equipe ficaram expostas.

Coxa vem fazendo a lição de casa, mas não está convencendo na Série B. Foto: Albari Rosa
Coxa vem fazendo a lição de casa, mas não está convencendo na Série B. Foto: Albari Rosa

Ataque com baixo aproveitamento, improvisações que chegavam a ser ‘diferentonas’ no setor defensivo, dependência nas bolas paradas e um técnico contestado que não é unanimidade dentro do clube. Todos esses fatores contribuíram diretamente para a decepcionante campanha até aqui: nove pontos somados e a vice-lanterna do Brasileirão.

O Coxa, por sua vez, chegou na Série B como o grande desta edição, um forte candidato ao acesso. O técnico Sandro Forner, que já estava com seu trabalho sendo contestado desde o início da temporada – apesar de ter conduzido o time à final do Paranaense – foi desligado do Verdão logo depois do jogo de estreia, após a derrota para o Sampaio Correia por 2×0. Chegou Eduardo Baptista que redesenhou o time e animou a torcida dentro do Couto Pereira. 100% de aproveitamento nos jogos em casa.

Mas nem tudo caminha como o esperado para o Verdão, já que longe de seus domínios ainda não conseguiu vencer. Em seis compromissos fora, três empates e três derrotas, e esses resultados pesam para que o Alviverde ainda não tenha se firmado de vez no G4. Será preciso regularidade daqui pra frente.

O saldo em seis meses da temporada 2018 não é positivo para nenhum dos três. Porém, até que a 38ª rodada encerre o Brasileirão deste ano, é possível que a maré mude. Ajustes no elenco que façam o Paraná Clube ser mais agudo, contratações pontuais no Coritiba e a melhora do ambiente interno no Atlético podem ser a bússola para que a mudança de rota aconteça.