A notícia de que a Turner enviou uma carta aos oito clubes com que tem contrato ativo na Série A do Brasileirão 2020 – Athletico, Bahia, Ceará, Coritiba, Fortaleza, Internacional, Palmeiras e Santos – para discutir detalhes dos vínculos pegou os dirigentes de surpresa na última sexta-feira (3).

No documento, a empresa avisou que suspendeu os pagamentos dos direitos de transmissão e ressaltou que pode rescindir os acordos por descumprimento de cláusulas. Por fim, convocou os clubes para uma reunião.

A mensagem, no entanto, está bem clara. O conglomerado de mídia, que no ano passado exibiu 42 partidas do campeonato nos canais TNT e Space, busca encerrar os contratos assinados a partir de 2016.

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De acordo com a apuração da reportagem, a conclusão da matriz americana é de que os contratos não são sustentáveis. Ou seja, pagaram muito alto pelo produto. Em 2019, na primeira temporada com transmissões, foram divididos R$ 140 milhões – 50% de maneira igualitária, 25% por audiência e 25% por desempenho.

Para desafiar o controle da Rede Globo no futebol, porém, a Turner vem abrindo o bolso há pelo menos três anos. Desembolsou luvas de R$ 40 milhões, por exemplo, para atrair os times a assinarem contrato. E aí começou a implodir o relacionamento com seus parceiros.

O projeto que convenceu os clubes era originalmente com Esporte Interativo (EI). A ideia vendida na época era de que o canal bateria de frente com o SporTV, da Globo, na TV fechada, com investimentos em uma ampla programação.

Vale lembrar que em 2016 o streaming ainda era novidade e os canais fechados dominavam o mercado. O cenário atual é bem diferente e os canais pagos tradicionais perdem assinantes todos os dias.

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A grande quebra de confiança aconteceu quando descobriu-se que o Palmeiras recebeu um bônus por assinatura de R$ 100 milhões, valor 150% superior ao pago aos outros times. A relação foi costurada novamente com o pagamento de uma compensação aos demais, mas nunca mais foi a mesma.

Meses depois, outro baque: o encerramento do EI. O corte tem relação com a compra da Turner pela AT&T nos Estados Unidos. Para o negócio aumentar as chances de ser aprovado no Brasil (o que ainda não aconteceu), todo o alicerce do projeto do futebol caiu por terra. O Brasileirão, então, migrou para os canais de filmes e séries TNT e Space.

A interlocução com os dirigentes, antes comandada pelo presidente do EI, Edgar Diniz, decaiu rapidamente com a saída do executivo. O argentino Juan Carlos Balassanian, vice-presidente de distribuição da Turner na América Latina, resolveu temporariamente a situação quando convocado para negociar a compensação no caso do Palmeiras. E também ao neutralizar os redutores que seriam aplicados nos contratos da Globo em certas condições.

Ao mesmo tempo, a Turner sofreu com a influência da Globo na CBF, de certa forma prejudicando com horários de transmissão engessados.

Mas a insatisfação com a lentidão na comunicação, que agora passa pelos EUA, continuava forte. Os clubes, por exemplo, têm muito mais abertura e rapidez para tratar com o homem-forte da Globo, Fernando Manuel Pinto. Apesar de eventuais problemas com a emissora carioca, a dinâmica de relacionamento funciona.

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A gota d’água foi a mais recente notificação enviada pela Turner aos clubes. Agora, foi a vez do conglomerado americano apontar violações dos parceiros nos contratos, como um número de exibições em TV aberta superior ao estipulado. As multas podem passar de R$ 1 milhão em cada caso.

E o que vai acontecer daqui pra frente? Clubes e Turner vão discutir as questões pendentes e tentarão entrar em acordo. Um cenário em que os times recuperam os direitos de transmissão, e a empresa fica livre da multa rescisória é plausível (os acordos com a Turner valem até 2024).

Mas não se espante se o assunto virar problema de Justiça por anos. O que é certo nesse cenário todo é que os direitos de transmissão vão diminuir no curto e médio prazo.

Veja o posicionamento da Turner:

A Turner enviou na sexta-feira, 3 de abril, uma notificação aos clubes com os quais mantem contrato para exibição da série A do Campeonato Brasileiro 2020. Essa carta reitera o que já foi colocado aos clubes em novembro de 2019, sobre o que não tivemos quase nenhuma resposta, e pede que venham conversar com a Turner para solucionar questões pendentes. Há certas obrigações que a Turner deseja reforçar incluindo compromissos assumidos pelos clubes que são essenciais para que a Turner crie um modelo de negócios sustentável.

A Turner propõe uma nova conversa, ao mesmo tempo em que não descuidará das ações necessárias à defesa de seus direitos. A Turner sempre privilegiou o diálogo e acredita numa solução conjunta.

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