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Tuta disse que quer ir atrás
dos dólares do exterior.

Primeiro foi Luís Mário. Aristizábal veio mais tarde, e para completar chegou Tuta. Os três atacantes chegaram como as grandes esperanças do Coritiba para 2004, e na mesma ordem que vieram eles foram embora.

O "Papa-léguas" deixou o time em junho, negociado com o Vitória de Guimarães, de Portugal. O colombiano saiu em novembro, após uma temporada frustrante. E o centroavante encerra a temporada e vai embora, pois não tem interesse em ficar no Alto da Glória em 2005.

O adeus de Tuta chega a ser melancólico, pois nos últimos 45 dias ele sofre com uma onda de reclamações, que começaram com uma crítica pública do presidente Giovani Gionédis (na derrota para o Vasco) e se estenderam com as vaias e cobranças da torcida em várias partidas – que chegam até a reclamar da forma que o centroavante comemorou os últimos gols. Por isso não surpreende o fato dele nem pensar em ficar no Coxa. "É uma coisa que não passa pela minha cabeça. Meu futuro não será aqui, até porque ninguém veio falar comigo", afirma, citando o mesmo fato relatado por Reginaldo Nascimento.

Mas, ao contrário do capitão coxa-branca, não se sente mágoa em Tuta. "Não estou chateado. O futebol é assim, quando a gente não consegue render o que as pessoas esperam, não há interesse", comenta o centroavante, tocando no ponto que é usado pelos responsáveis do futebol alviverde como definitivo para a não permanência dele no Coxa. "Acho que todos esperavam muito de mim, do Ari e do Luís Mário, e como não fizemos um bom brasileiro as cobranças vieram. Quem sabe o retorno não foi suficiente. É como uma empresa: quando os funcionários não correspondem, são trocados", admite.

A posição do jogador sobre o próprio rendimento é clara. "Eu tive uma boa passagem no Coritiba, apesar dos pesares. Conquistamos um campeonato estadual, fui o artilheiro do time na temporada. Mas, no brasileiro, acho que deixamos a desejar", diz Tuta, que não aceitaria nem conversar com o clube. "Meu interesse é voltar para o exterior. Estou com trinta anos, preciso cuidar da minha família e é importante para mim fazer um bom contrato neste momento", completa.

Sincero, Tuta reconhece que pretende voltar a jogar fora do Brasil por motivos financeiros. "Nosso futebol vive uma crise, e no exterior, queiramos ou não, os contratos são em dólar, e acabamos muito mais valorizados", confessa. "Estou pensando muito no meu futuro, e preciso ficar mais uns três anos fora para depois voltar para valer. E não veria problema nenhum em vestir de novo a camisa do Coritiba", finaliza.

Coxa promete uma correria contra o Goiás

O Coritiba que entra em campo amanhã, às 16h, contra o Goiás, no Couto Pereira, será uma equipe de constante movimentação e muita velocidade. Foi assim que se viu o Coxa durante os treinos – por sinal, foi o melhor rendimento do time em coletivos em todo o Brasileiro. O segredo é a liberação total de Rafinha e Ricardinho, que não jogam como alas e sim como armadores.

Ao contrário da formação com Adriano (que mais uma vez fica de fora), quando há a "combinada" pela esquerda, este Coritiba que joga amanhã não guarda posições no meio-de-campo. "A rigor, só há a orientação para o Roberto Brum ficar mais à frente dos zagueiros", explica o técnico Antônio Lopes. De resto, Rafinha, Ricardinho, Luís Carlos Capixaba e Ataliba têm a ordem de abrir espaços. "O Lopes me passou para jogar solto", resume o ala-esquerdo.

Isto faz com que o Coxa seja uma equipe mais rápida. "É a nossa idéia. Vamos enfrentar um time de muita marcação e também de velocidade. Por isso precisamos ter a nossa opção de ataque", justifica Lopes, que considera o Goiás um dos melhores times do país. "Vamos ter um jogo muito bom. O nosso adversário é ofensivo e agressivo e impõe muitas dificuldades", elogia o Delegado.

A equipe está definida, apenas com os desfalques já certos – Adriano, ainda se recuperando de dores na coxa, o também lesionado (com dores no tríceps) e o suspenso Reginaldo Nascimento. Na defesa, mais uma vez Vagner assume o posto de titular. "Eu não me preocupo, porque ele sempre jogou bem quando foi preciso", afirma Lopes. Da mesma forma, Douglas segue no gol. O Cori enfrenta o Goiás com a seguinte formação: Douglas; Miranda, Flávio e Vagner; Rafinha, Roberto Brum, Ataliba, Luís Carlos Capixaba e Ricardinho; Tuta e Alemão.