Tuta deixou sua marca de
bochecha contra o Figueirense.

“Às vezes, a gente não recebe o incentivo que espera. Por mais que a gente faça, acaba só pressionado e criticado.” As palavras são de Tuta, o jogador que viveu a maior polêmica do Coritiba na temporada 2004. Criticado publicamente pelo presidente Giovani Gionédis, o centroavante foi barrado pelo técnico Antônio Lopes, e parecia aberto o caminho para sua dispensa – ou, ao menos, um afastamento que encerraria antes do previsto sua passagem pelo Coxa. Mesmo assim, ele voltou, manteve-se treinando e acabou sendo o responsável pela vitória sobre o Figueirense, marcando dois gols. E ele manteve também a sinceridade, garantindo a decepção com a reserva e com as opiniões da torcida e de Gionédis.

Tuta reconhece que contou com o imponderável no domingo. “O atacante precisa de competência e de sorte para marcar. Contra o Figueirense, eu tive, além de oportunismo, sorte para marcar os gols”, confessa o centroavante, que apostou em um lançamento de Ricardo, que acabou sendo rechaçado pelo goleiro Gustavo em um chutão que explodiu em seu rosto. “Acho que foi o meu primeiro gol de bochecha”, brinca.

Apesar de ter quebrado um jejum de quatro partidas sem marcar (e chegado aos 14 gols no brasileiro), Tuta não quis tomar sua participação no domingo como uma resposta a Giovani Gionédis. “Não foi isso, eu estou trabalhando para conquistar meus objetivos. Ele foi infeliz no que disse, mas isso não me atrapalhou”, diz o atacante, que na semana passada tinha atirado contra o presidente, afirmando que ele “não sabia nada de futebol”.

O que magoou mesmo o centroavante foi a saída do time – ele ficou na reserva na partida com o Paysandu, logo após o pênalti perdido contra o Vasco. “Eu acho que não foi justo. Eu não estava fazendo gols, mas estava ajudando o time na marcação, procurando me esforçar sempre. Foi injusta a minha saída, mas o treinador é quem decide. E eu não assinei contrato para ser titular, minha obrigação é tentar melhorar a cada dia, mas tenho mostrado nos treinos e nos jogos que eu não merecia sair da equipe”, comenta.

Tuta não acredita que a barração imposta por Antônio Lopes tenha tido relação com as críticas de Gionédis. “Não teve nada a ver. O Lopes é um profissional muito experiente, e tem todo o direito de tomar a posição que achar melhor”, garante. Falando nele, o Delegado está satisfeito com a recuperação de seu titular. “O Tuta é um grande atacante, e é muito bom vê-lo marcando. Ele precisava disso para retomar sua caminhada”, finaliza o treinador coxa.

Diretoria do Coxa define orçamento 2005

Nos planos do Coritiba, 2004 e 2005 já se confundem – e a próxima temporada é olhada com muito carinho. Os dirigentes alviverdes continuam, dia após dia, avaliando possíveis negócios e fazendo as contas para o orçamento do clube. A prévia de gastos no futebol é de R$ 600 mil mensais, pouco mais de R$ 7 milhões no ano. O orçamento pode ficar mais apertado ou mais folgado, dependendo das negociações em andamento e da verba da TV.

Os valores não foram oficialmente divulgados – e dificilmente serão -, mas o presidente Giovani Gionédis confirmou no domingo que os valores serão menores que os deste ano. “Será uma previsão mais apertada que em 2004, mas com números que nos dão a possibilidade de um bom investimento”, comentou.

Para aumentar a verba, seria fundamental a venda de um jogador – e a ‘bola da vez’ é Adriano. Falta apenas a autorização dos procuradores do lateral para que o negócio com o Porto se concretize. A princípio, os representantes estariam refratários à negociação, mas eles mesmos admitem que o jogador deve deixar o Coxa no final do ano, o que significa que haverá uma negociação envolvendo pagamento de direitos ao clube. Ontem, em entrevistas às rádios Clube e Globo, o lateral garantiu que não sabe de nada – nem da proposta do Porto, nem de qualquer outra. “Ninguém veio conversar comigo”, afirmou.

Mas não é só Adriano que está disponível. “Nós não recebemos propostas por outros jogadores, mas eu deixo bem claro que todo nosso elenco é negociável. Se algum outro clube se interessar em um de nossos atletas, que entre em contato com o Coritiba que nós vamos conversar”, anunciou Giovani Gionédis.

CT fora da penhora

Além de montar o time para a próxima temporada, o Coritiba tem outros objetivos em sua prévia de gastos e investimentos para 2005. Um deles é amortizar a dívida que tem com bancos, que chegou a ameaçar de penhora o CT da Graciosa. Caso consiga isso, o clube teria fôlego para acelerar a modernização do Alto da Glória.

A dívida bancária foi construída através dos tempos, com empréstimos e juros “a perder de vista”. Os bancos tornaram-se a tábua de salvação do Cori após situações constrangedoras, como o leilão do passe de Pachequinho para pagar impostos atrasados. Para efetivar compras de atletas, mais dinheiro foi buscado nas instituições financeiras.

E, como é de praxe, o Coxa teve que colocar seus bens como garantia. Um deles foi o Centro de Treinamentos, que correu risco de penhora nas últimas semanas. Mas a diretoria alviverde conseguiu um acordo com o Bradesco para rearranjar a dívida e retirar o CT da história. Para que esse acerto continue valendo, o Coritiba terá que cumprir com suas obrigações, e a forma mais rápida de encontrar fundos é a venda de jogadores – no caso, Adriano.

Isso permitiria que o clube tivesse mais liberdade para fazer investimentos e, principalmente, encontrar parceiros para as obras de modernização do Couto Pereira.