A União Ciclística Internacional (UCI) disse concordar nesta sexta-feira com a proposta de criar uma comissão da “verdade e reconciliação” com a Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês) para avaliar os vários casos de uso de substâncias proibidas que atingiram a imagem do esporte.

A revelação do plano foi feito pela UCI no primeiro dia da audiência pública sobre casos de doping de Lance Armstrong. A entidade criou uma comissão independente para investigar as acusações de que seus líderes acobertaram testes positivos do norte-americano durante sua série de vitórias na Volta da França, entre 1999 e 2005, além de ter recebido doações indevidas do ex-ciclista.

A UCI sugeriu nesta sexta a implementação de um programa de anistia que permitiria aos ciclistas e dirigentes apresentarem informações sobre o doping sem medo de represálias, citando a luta para convencer testemunhas a falar abertamente.

 

O presidente da UCI, Pat McQuaid, disse que vai trabalhar com a Wada para desenvolver a comissão de anistia. “O processo de verdade e reconciliação é a melhor maneira que podemos examinar a cultura de doping no ciclismo no passado, e poder limpar o ambiente, de modo que o ciclismo pode avançar”, disse McQuaid após a audiência inicial da comissão.

McQuaid revelou que vai que vai se reunir com o presidente da Wada, John Fahey, neste fim de semana para tentar definir como o processo de reconciliação pode funcionar. “A Wada indicou que iria dividir os custos com a UCI”, disse. “O código da Wada está sendo revisto e uma anistia está em discussão nessa revisão”.

A comissão independente quer ampliar sua investigação sobre o papel de Armstrong como o líder de um esquema de doping da equipe US Postal, que foi exposto no relatório da Agência Antidoping dos Estados Unidos (Usada, na sigla em inglês) no ano passado.

O ex-ciclista, que perdeu os sete títulos da Volta da França e foi banido do esporte, admitiu ter se dopado durante a sua carreira em uma entrevista na semana passada para Oprah Winfrey. Mas a UCI rejeitou a proposta de alargar o inquérito, insistindo que seria muito caro financiar investigações em larga escala.

 

O dirigente garantiu que a paralisação das audiências não foi feita para ajudar a sua própria tentativa de reeleição em setembro. “Eu não tenho nada para me preocupar”, disse o presidente da UCI, que foi acusado de usar a proposta de anistia e criação de uma comissão da verdade como uma forma de “enterrar as acusações da Usada”, nas palavras do juiz britânico Philip Otton, líder do painel independente.